ELIAS RICARDO SANDE

ELIAS RICARDO SANDE
PSICOLOGO SOCIAL E DAS ORGANIZACOES

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Morte: Perspectiva Africana



  1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho surge no âmbito da cadeira de Perspectivas Africanas dos fenómenos Psicológicos e tem como tema Morte.
A Morte como último destino do homem, transcende a um simples processo biológico, visto que ela tem repercursões psicológicas, antropológicas, morais, filosóficas, sociais e jurídicas que torna quase impossível que fiquemos indiferentes perante ela.

Objectivos
Objectivo Geral: O trabalho tem como objectivo fundamental, analisar a morte no que tange aos fenómenos psicológicos subjacentes.

Especificamente, pretende-se com o trabalho, descrever os mecanismos psicológicos que entram em acção quando o homem se depara com este fenómeno e perceber a maneira como o homem vive e enfrenta o luto.

Para atingir os objectivos mencionados anteriormente procurou-se discutir o tema tendo em conta o enfoque, Histórico, Filosófico, Biológico, Sociólogico, Antropológico e Psicólogico, pois, a morte não faz parte de uma categoria específica, mas sim, uma questão multidimensional.

Para a realização do trabalho recorreu-se ao método de revisão bibliográfica e a entrevista semi-estruturada o que nos ajudou a cruzar a informação.










Definição de Conceitos
O conceito de morte é discutido na literatura por diferentes autores e cada um deles seguindo uma determinada orientação ou abordagem científica, religiosa e filosófica. Assim, Segundo Junod (1996),” morte é a passagem do mundo dos vivos para o mundo dos mortos, isto é, passagem duma fase da vida para outra”.

Enquanto que Bichat citado por Zacarias, A. (s/d) define Morte como sendo a cessação definitiva das três funções vitais: nervosa, cardiocirculatória e respiratória também designado triade Bichat.

De acordo com Mordin (2005), existem várias acepções sobre a morte: “ é a cessação do processo vital em organismos vivos “(no sentido amplo), passando pela “dissolução da estrutura molecular necessária para o fenómeno de vida”( linguagem da biologia molecular), até”a separação da alma e do corpo”(do ponto de vista filosófico e linguagem de senso comum).

  1. ABORDAGEM CIENTÍFICA DA MORTE


De longe o mais importante e significante tipo de morte para os seres humanos é a morte de um dos seus ente queridos.
De acordo com Benjamin (2007), muitos autores usaram a morte como via para expressar o que há depois da vida, sob a perspectiva de varias teorias. Assim, as três mais divulgadas e preponderantes são.
  • A teoria da “Extinção Absoluta”permanente da vida ao ocorrer a morte física, ou teoria Materialística (monista);
  • A teoria do “Céu e Inferno” numa vida eterna para além da física e determinada pela conduta na vida física, ou teoria Teológica; e
  • A teoria da reencarnação através de renascimentos sucessivos em corpos físicos e com diferentes experiências de vida para alcançar a expansão da consciência e perfeição espiritual, ou teoria do Renascimento (dualista).
Deste modo, estas teorias estão subjacentes nas diferentes visões sobre a morte desenvolvidas ao longo do trabalho.

De acordo com Benjamin (2007), a morte no ramo das ciências, é estudada pela Tanatologia. Nesse sentido são estudados causas, circunstâncias, fenómenos e repercussões jurídico-sociais, sendo amplamente utilizados na medicina legal. A morte também é estudada em outros ramos da ciência, notoriamente os relacionados a tratar doenças e traumatismo evitando que elas ocorram. Alguns estudos da ciência abordam as experiências de quase morte no sentido de entender os fenómenos correlacionados na quase morte.

    1. Tipos de morte

De acordo com Zacarias.A.E, (s/d) existem nove tipos de morte:
  1. Morte real – que ocorre quando há uma cessação definitiva das funções vitais (nervosa, cardíaca e respiratória;
  2. Morte aparente – ocorre quano o paciente se encontra num estado de choque, ou seja quando as funções vitais estão presentes, porém diminuidas e de difícil percepção;
  3. Morte clínica – quando há cessação de uma das funções vitais. Por exemplo: a paragem cardíaca. Esta morte é reversível;
  4. Morte biológica – quando há cessação de uma função vital associada a graves lesões do orgão em causa. O paciente pode manter-se vivo graças aos meios tecnológicos. Por exemplo: o transplante do coração;
  5. Morte lenta ou agónica – quando a cessação das três funções é precedida por um periodo relativamente longo de agonia
  6. Morte natural – quando a cessação das funções é provocada por uma doença devido a idade avançada
  7. Morte violente – provocada por causas externas (abortos, acidentes, suicidio)
  8. Morte súbita – quando um individuo aparentemente são perde as funções vitais num periodo muito curto.
  9. Morte encefálica, conhecida por morte cerebral – quando a cessação definitiva da função nervosa que compromete irreversivelmente as funções vitais de relação e a coordenação da vida vegetativa. During the time preceding the funeral—usually from seven to thirteen days—visits are paid by people in the community to comfort the bereaved family.
A irreversibilidade é constantemente citada como um atributo da morte. Cientificamente, é impossível trazer de novo á vida um organismo morto. Se um organismo vive, é porque ainda não morreu anteriormente. No entanto, muitas pessoas não acreditam que a morte física é sempre e necessariamente irreversível enquanto outros acreditam em ressuscitação do espírito ou do corpo e outras ainda, tem esperança que futuro avanços científicos e tecnológicos possam traze-las de volta á vida, utilizando técnica ainda embrionária, tais como a criogenia ou outros meios de ressuscitação ainda por descobrir.

  1. ENFRENTANDO A MORTE

Segundo Ballone (2002), ao pensar na morte, seja a simples ideia da própria morte ou a expectativa mais do que certa de morrer um dia, seja a ideia estimulada pela morte de um ente querido ou mesmo de alguém desconhecido, o ser humano maduro normalmente é tomado por sentimentos e reflexões.
As pessoas que se regozijam em dizer que não pensam na morte, normalmente têm uma relação mais sofrida ainda com esse assunto, tão sofrida que nem se permitem pensar a respeito.
Esses pensamentos, ou melhor, os sentimentos determinados por esses pensamentos variam muito entre as diferentes pessoas, também variam muito entre diferentes momentos de uma mesma pessoa. Podem ser sentimentos confusos e dolorosos, serenos e plácidos, raivosos e rancorosos, racionais e lógicos, e assim por diante.
De um modo geral, a ideia da morte nos remete aos sentimentos de perda, portanto, em tese, desperta-nos sentimentos dolorosos. Trata-se de uma espécie de dor psíquica, a qual muitas vezes acaba também gerando dores físicas, ou criando uma dinâmica incompreensível para quem a vida continua sorrindo.
Poderiamos dizer que na depressão, o tema morte esta mais presente, seja o medo dela, seja a vontade de que ela aconteça casualmente ou, mais grave, sob a forma de ideação suicida. De qualquer forma, pensa-se na morte e, como não poderia deixar de ser, acompanha sentimentos dolorosos. Essa é uma dor psíquica, naturalmente movida por sentimentos de tristeza, de finitude, de medo,de abandono, de fragilidade e insegurança.
Na espécie humana a dor psíquica diante da morte pode ser considerada fisiológica, mas sua duração, intensidade e resolução vão depender, muito provavelmente, de como a pessoa experimentou a vida. Diz um ditado: “teme mais a morte quem mais temeu a vida.

    1. Estágios da Morte e relação com o Pensamento Piagetiniano
Tendo em conta que se esta a falar da morte, vê-se a pertinência de se falar dos doentes terminais ou da forma como estes encaram a morte, visto que estes mais do que ninguém são, de certa forma obrigados a reflectir sobre a morte.
Elisabeth kubler- Ross citada por Ballone (2002), diz que, em casos de doentes terminais a reacção psíquica determinada pela experiência com a morte foi descrita como tendo cinco estágios:

1° Estágio de negação e isolamento
A negação e o isolamento são mecanismos de defesas temporários de Ego contra a dor psíquica diante da morte. A intensidade e duração desses mecanismos de defesa dependem de como a própria pessoa sofre e as outras pessoas ao seu redor são capazes de lidar com essa dor . Em geral, a Negação e o isolamento não persistem por muito tempo. Nota-se que este estágio assemelha-se ao primeiro e segundo estágio da teoria cognitivista de Piaget, que se caracteriza pelo egocentrismo e pelo pensamento concreto.


Estágio de raiva
Por causa da raiva, que surge devido á impossibilidade do Ego manter a Negação e o isolamento, os relacionamentos se tornam problemáticos e todo o ambiente é hostilizado pela revolta de quem sabe que vai morrer. Junto com a raiva, também surgem sentimentos de revolta, inveja e ressentimento.
Nessa fase, a dor psíquica do enfrentamento da morte se manifesta por atitudes agressivas e de revolta; - porque comigo? A revolta pode assumir proporções quase paranoides ; “ com tanta gente ruim para morrer porque eu, eu que sempre fiz o bem, sempre trabalhei e fui honesto”…
Transformar a dor psíquica em agressão é, mais ou menos, o que acontece em crianças com depressão. É importante, nesse estagio, haver compreensão dos demais sobre a angústia transformada em raiva na pessoa que sente interrompidas suas actividades de vida pela doença ou pela morte.

Estágio de barganha
Havendo deixado de lado a negação e o isolamento, “percebendo” que a raiva também não resolveu, a pessoa entra no terceiro estágio; a barganha. A maioria dessas barganhas é feita com Deus em forma de súplicas e, normalmente, mantidas em segredo.
A pessoa implora que Deus aceite sua “ oferta” em troca da vida, como por exemplo, sua promessa de uma vida dedicada á igreja, aos pobres, á caridade. Na realidade, a barganha é uma tentativa de adiamento. Nessa fase o paciente se mantém sereno, reflexivo e dócil.

4° Estágio de depressão
A depressão aparece quando o paciente toma consciência de sua debilidade física, quando já não consegue negar suas condições de doente, quando as perspectivas da morte são claramente sentidas. Evidentemente, trata-se de uma atitude evolutiva; negar não adiantou, e se revoltar também não, fazer barganhas não resolveu. Surge então um sentimento de grande perda. É o sofrimento e a dor psíquica de quem percebe a realidade nua e crua, como ela é realmente, é a consciência plena de que nascemos e morremos sozinhos. Aqui a depressão assume um quadro clínico mais típico e característico; desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro, provavelmente essa consciência varia de acordo com o desenvolvimento cognitivo do indivíduo e também da cultura onde ele está inserido.

5° Estágio de aceitação
Neste estágio o paciente já não experimenta o desespero e nem nega sua realidade. Este é o momento de repouso e serenidade antes da longa viagem. Este estágio assemelha-se ao quarto estágio de Piaget (Operações Formais) em que o individuo tem um pensamento hipotético dedutivo e lógico, sendo capaz de pensar e agir no abstrato.
É interesse da Psiquiatria e da medicina melhorar a qualidade da morte, que o paciente alcance este estágio com dignidade e bem-estar emocional. Assim sendo, o processo até a morte pode ser experimentado em clima de serenidade por parte do paciente e, pelo lado dos que ficam; de conforto, compreensão e colaboração para com o paciente.
Assim, pode-se dizer que as atitudes perante a morte assim como a suaunderstanding of death is affected by age, cognition, and familial and cultural factors depending on the context compreensão são afetada pela idade, cognição e fatores culturais, dependendo do contextowithin which such development takes place. em que esse indivíduo se encontra.

  1. CULTO AOS ANTEPASSADOS EM DIFERENTES CULTURAS

Apesar da morte ser algo que acontece para todos os indivíduos, independentemente da sua cultura, idade, sexo, raça ou credo religioso é de notar que existe uma diferença na forma como se cultura a morte nos vários grupos sociais, pelo que passa-se a apresentar alguns exemplos:

No Ocidente
De acordo com Vasconcelos citado por Benjamim (2007), na noite de todos os santos, em Barqueiros, era tradição preparar à meia noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família poderem comer; ninguém mais tocava nelas, pois, dizia-se que estavam “babadas dos defuntos”. É também costume deixar um lugar vago à mesa para o morto ou deixar á mesa cheia de iguarias toda a noite da consoada para as “alminhas”.
Vasconcelos também considerava o magusto- festa popular em que amigos e familiares se juntam para assar e comer castanhas, como vestígio de um antigo sacrifício em honra dos mortos.

Visão geral da morte em África
Death, although a dreaded event, is perceived as the beginning of a person's deeper relationship with all of creation, the complementing of life and the beginning of the communication between the visible and the invisible worlds.Segundo Anderson (2010), a Morte, apesar de um evento temido, é entendida como o início de um relacionamento mais profundo da pessoa com toda a criação, a complementação da vida e o início da comunicação entre o visível e o mundo invisível. The goal of life is to become an ancestor after death. O objetivo da vida é tornar-se um amtepassado após a morte. This is why every person who dies must be given a "correct" funeral, supported by a number of religious ceremonies. É por isso que cada pessoa que morre deve ser dado um "funeral" correta ", apoiado por uma série de cerimônias religiosas. If this is not done, the dead person may become a wandering ghost, unable to "live" properly after death and therefore a danger to those who remain alive. Se isso não for feito, a pessoa morta pode tornar-se um fantasma errante, incapaz de "viver" corretamente após a morte e, portanto, um perigo para aqueles que permanecem vivos.
De acordo com Papalia e Olds (2000), a experiência cultural influencia as atitudes perante a morte. Embora o luto e o pesar sejam experiências universais, eles têm um contexto cultural pois, refere-se ao modo culturalmente aceite, dos enlutados e a comunidade agirem enquanto se adaptam a morte.
O luto é a perda de alguém de quem uma pessoa se sente próxima e o processo de ajustamento a isso, ou seja, trata-se de uma fase de adaptação a nova realidade. Este pode afectar todos os aspectos da vida do sobrevivente.
O pesar é a resposta emocional sentida nas primeiras fases do luto e pode assumir muitas formas desde o entorpecimento até a raiva.
Segundo Papalia & Olds (2000), As sociedades ajudam as pessoas a lidar com o luto por meio de costumes de significado bem conhecidos que oferecem uma âncora tranquilizadora em meio de turbulência da perda.
Portanto passa-se a apresentar o culto dos mortes nalgumas sociedades, particularmente africanas.
Segundo Anderson, A. (2010) a Morte nas religiões Africano é uma das últimas fases de transição da vida que exigem os ritos de passagem, e isso também leva um longo tempo para ser concluído.
Normalmente, um animal é morto em ritual, embora isso também serve o propósito prático de fornecer alimento para os muitos convidados. Personal belongings are often buried with the deceased to assist in the journey.Pertences pessoais são muitas vezes enterradas com os mortos para ajudar na viagem. Various other rituals follow the funeral itself. Some kill an ox at the burial to accompany the deceased.
O Nguni no sul da África chamada a matança do boi "o boi de retornar", porque o animal acompanha a volta para casa morto de sua família e permite que o falecido para agir como um pai protegendo. The "home bringing" rite is a common African ceremony. A "casa trazendo" rito é uma cerimônia comum Africano. Only when a deceased person's surviving relatives have gone, and there is no one left to remember him or her, can the person be said to have really "died." Somente quando a pessoa sobrevivente parentes falecidos foram um, e não há ninguém para se lembrar dele ou dela, a pessoa pode-se dizer que realmente "morreu". At that point the deceased passes into the "graveyard" of time, losing individuality and becoming one of the unknown multitude of immortals. Nesse ponto, o falecido passa para o "cemitério" de tempo, perdendo a individualidade e tornando-se uma multidão de desconhecidos dos imortais.

Tanto nos Costumes antigos como actualmente acontece, Quando alguém morresse em uma casa, todas as janelas estão sujas de cinzas, todas as fotos da casa virou-se e todos os espelhos e televisores e quaisquer outros objectos reflexivos. The beds are removed from the deceased's room, and the bereaved women sit on the floor, usually on a mattress. As camas são retirados do quarto do defunto, e as mulheres enlutadas sentar no chão, geralmente em um colchão.
No caso dos cristãos, Um dia antes do funeral, o cadáver é trazido para casa antes do sol e colocou no quarto. A night vigil then takes place, often lasting until the morning. A vigília, em seguida, ocorre, muitas vezes durando até a manhã. The night vigil is a time for pastoral care, to comfort and encourage the bereaved. A vigília é um momento para o cuidado pastoral, para confortar e encorajar as pessoas enlutadas.
A ritualização para os mortos deve ser entendida na base dos valores culturais do grupo em referência, visto que, estes variam de cultura para cultura onde o processo de socialização dos individuos é feita tendo em conta a crença, os hábitos, custumes e valores culturais deste grupo.
Tradicionalmente, o funeral se realiza no início da manhã (muitas vezes antes do sol nascer) e não no final da tarde. Em algumas comunidades, crianças e adultos solteiros não estão autorizados a assistir ao funeral. During the burial itself the immediate family of the deceased is expected to stay together on one side of the grave at a designated place. Durante a sepultura da família imediata do falecido esta mantem-se junta em um lado da sepultura em um local designado. They are forbidden from speaking or taking any vocal part in the funeral.
Após o enterro as pessoas são convidadas a casa do falecido para a refeição do funeral. Many people follow a cleansing ritual at the gate of the house, where everyone must wash off the dust of the graveyard before entering the house. Muitas pessoas seguem um ritual de limpeza no portão da casa, onde todos devem lavar a poeira do cemitério antes de entrar na casa.
Segundo Junod (1996) e Anderson (2010), na África Austral, o período de luto rigoroso geralmente continua, pelo menos, uma semana após o funeral. During this time the bereaved stay at home and do not socialize or have sexual contact. Durante este tempo a ficar de luto em casa e não conviver ou ter contato sexual. Some wear black clothes or black cloths fastened to their clothes, and shave their hair (including facial hair) from the day after the funeral. Alguns usam roupas pretas ou panos negros presos às suas roupas, seu cabelo e barba (inclusive facial) a partir do dia após o funeral.
Because life is concentrated in the hair, shaving the hair symbolizes death, and its growing again indicates the strengthening of life.As roupas da falecida são embrulhado em um pacote e repudiada por um ano ou até que o período de luto acabou, após os quais são distribuídos aos membros da família ou destruídos por incineração.
Tradicionalmente, a viúva tinha de permanecer de luto durante um ano após a morte de seu marido e os filhos de um pai falecido estava de luto por três meses.
Uma prática que parece estar desaparecendo Africano em áreas urbanas é o ritual, trazendo para casa, embora ainda seja observado em algumas partes da África.
Some of the indigenous rites have indeed been transformed and given Christian meanings, to which both Christians and those with traditional orientation can rAlguns dos rituais indígenas foram realmente transformados e dado significado cristão, de que tanto os cristãos como aqueles com orientação tradicional pode se relacionar. Sometimes there are signs of confrontation and the changing and discontinuance of old customs to such an extent that they are no longer recognizable in that context. Às vezes, há sinais de confrontação e à mudança e à supressão dos antigos costumes de tal forma que já não são reconhecíveis nesse contexto. African funerals are community affairs in which the whole community feels the grief of the bereaved and shares in it.Funerais Africanos são assuntos da comunidade em que toda a comunidade se sente a dor do luto e partes nele. The purpose of the activities preceding the funeral is to comfort, encourage, and heal those who are hurting. O objetivo das atividades que precedem o funeral é o conforto, o encorajamento e cura daqueles que estão sofrendo.
Na cultura moçambicana
Moçambique é um País multicultural dai que existe uma variedade de concepção deste fenómeno e dos seus rituais.
As interpretações actuais sobre a morte constituem parte da herança que as gerações anteriores nos legaram. De seguida faremos uma breve descrição de algumas variáveis da cultura moçambicana.
Segundo Junod (1996), entre os Tsongas a morte (lifu), não é somente um acontecimento triste ou uma ocasião de dor pela perda do defunto, mas uma origem terrível de contaminação que põe todos os objectos e todas as pessoas que estiveram em contacto com o morto, todos os parentes, mesmo os que vivem e trabalham muito longe, num estado de impureza. Esta impureza é, com efeito, muito perigosa, matando se não for convenientemente tratada.
Segundo a cultura dos Tsongas as viúvas, por constituirem um círculo concêntrico do morto, submetem-se a uma purificação severa. Esta purificação também se estende para os coveiros, habitantes da aldeia do morto, os parentes residentes em outras aldeias, incluindo os parentes das mulheres dos mortos. Todas estas pessoas que estão impuras ficam postas à margem da sociedade: muti wutrumili (a aldeia está sombria).
Depois do enterro do morto são impostos numerosos tabús como: as relações sexuais são severamente proibidas às pessoas casadas, mas o Kunganguisa (conquistar ou namorar) não é duramente, pelo menos em certos distritos dos Tsongas. Existem igualmente, ritos funerários que podem durar um ano e ao mesmo tempo extremamente complexos. A série destes ritos comporta três fases: 1ª O luto pesado - É imediatamente depois do enterro e dura geralmente cinco dias. O modo de purificação é essencialmente medicinal: tem como finalidade purificar as pessoas e objectos que entraram em contacto directo com o morto.
Logo após o enterro,todos os habitantes da aldeia vão se banhar no lago ou no rio. Os Coveiros mastigam o ndrawu- raiz de junco que tem poder tónico. No dia seguinte o Nyanga (curandeiro) vem proceder a purificação medicinal das viúvas e dos coveiros. O medicamento consiste em três banhos sucessivos de vapor, de uma mistura de drogas e almôndegas queimadas no fogo fervidas numa panela de barro, banho este feito no primeiro e quinto dias depois da morte.
Posteriormente, este Nyanga rapa o cabelo das viúvas e dos parentes mais próximos do morto usando como instrumento uma lâmina ou um instrumento de vidro. Depois todos se vestem com malopa,isto é, peças de pano azul marinho.
Outro rito geral é o kuluma milomo – purificação dos mantimentos do morto, especificamente os cereais que este posuía no celeiro. As machambas do morto devem ser igualmente purificadas, o que se faz pelo rito designado kuvaninga mavele (iluminar o milho).
No último dia do luto pesado ou dia de aspersão (kuchuva), o nyanga esperge toda a gente com aquela mistura dos banhos ainda quente, servindo-se de um ramo com folhas. Usa a mesma mistura para espargir toda a aldeia, as palhotas, as entradas, os tectos, os bens do morto que foram conservados e que serão distribuidos aos herdeiros.
Posto isto, aldeia está pura no que respeita a coisas materiais. Este acto é que despede a assembléia do luto (kuhangalasa nkosi).
De salientar que estes ritos de luto pesado na cultura Tsonga assemelha-se aos que acontecem nos clãs do Norte de Moçambique, mudando apenas a denominação nos termos usados.
Os ritos sexuais que tendem a purificar a vida colectiva da aldeia pela supressão da impureza nos clãs do norte de Moçambique chama-se kulhamba ndzhaka, nos clãs do sul kulhamala khombo. Algumas semanas depois do enterro, habitantes casados da aldeia reúnem-se, homens de um lado e mulheres do outro. Se alguém não tiver transgredido a regra é o mestre do luto e deve começar o acto. Sai da aldeia com a mulher e unem-se segundo a regra e voltam em caminhos separados, e todos os casais fazem o mesmo. As mulheres por sua vez lavam a sua sujidade no mesmo sítio, seja na entrada principal da aldeia ou na porta da palhota, numa panela de barro cheia de água.
Os homens vêm por sua vez e espezinham o sítio. Quando a cerimónia termina, os homens e mulheres vão se banhar no rio.
Os ritos familiares que consistem em reuniões de todos os parentes acompanhadas de cerimónias religiosas tem como finalidade restabelecer a vida da família ou do grupo social que foi reduzido pela morte de um dos seus membros.
Importa referir que, estes ritos funerários dos Tsongas muito complicados, mostram claramente que existe no espírito deles três grandes crenças:
Primeira, o homem continua a viver e torna-se um Deus depois da morte;
Segunda, um perigo extremo está ligado à impureza que acompanha a morte. Está impureza contamina a comunidade e só pode ser extinta por purificação colectiva.
Terceira, o grupo social reduzido pela morte de um dos seus, deve ser reforçado por meios especiais (reuniões da família, escolha de um sucessor).
No compto geral, verifica-se que todos os grupos étnicos em Moçambique, apesar de sentirem pesar pela perda do seu ente querido, concordam com a idéia de que existe vida pós morte. Idéia essa que foi secundada pelos crentes entrevistados ao longo da pesquisa.
Importa salientar que nas culturas africanas, em particular na moçambicana, os mortos influenciam na vida diária dos vivos pelo facto de que, quase sempre são responsabilizados por tudo de bom ou de mal que lhes acontece. Em muitos momentos da vida dos indivíduos oferecem-se presentes aos mortos, sob forma de pequenos gestos como kupalha (despejar um pouco de bebida e comida no chão), atitudes ou mesmo sob forma de grandes cerimónias de culto aos antepassados (mhamba).
Os mortos são igualmente consultados para tomar decisões sobre assuntos considerados importantes, são atribuidos o sucesso pela colheita e são invocados para pedir a chuva.
Um dos aspectos que revela a importância dos mortos na cultura moçambicana é a proliferação dos curandeiros que tem como essência do seu trabalho os espíritos dos mortos.

  1. TAREFAS DO PROCESSO DE LUTO

De acordo com Worden (1998), o processo de luto passa por quatro tarefas respectivamente:
Aceitar a realidade da perda – esta tarefa consiste em enfrentar a realidade que a pessoa está morta, de que a pessoa se foi e não irá retornar.
O oposto de aceitar a realidade da perda é não acreditar por meio de negação. Esta negação de factos da perda pode variar em grau, desde uma leve distorção até uma desilusão completa. Por exemplo, a pessoa pode manter os pertences da pessoa morta numa condição mumificada, pronta para o uso quando o falecido retornar.
Elaborar a dor da perda – é importante reconhecer e elaborar esta dor (evitando pensamentos dolorosos, estimulando apenas os pensamentos prazerosos) ou ela se manifestará por meio de alguns sintomas ou por outra forma de conduta aberrante que mais tarde pode ser necessária uma terapia num momento em que pode ser mais difícil para a pessoa retornar a elaborar a dor que estivera evitando.
3ª Ajustar-se a um ambiente onde está faltando a pessoa que faleceu - este ajustamento consiste em entender os papéis desempenhados pela pessoa que faleceu. O impedimento desta tarefa é não se adaptar a perda.
Reposicionar em termos emocionais a pessoa que faleceu e continuar a vida.
Esta é a última tarefa do processo de luto que termina quando a pessoa enlutada não tem mais a necessidade de reativar a representação do falecido com a intensidade exagerada no dia-a-dia. Assim, O processo de luto termina quando as tarefas de luto são concluídas e, um sinal de que o luto já terminou é quando a pessoa é capaz de pensar na pessoa que faleceu sem dor.

  1. MANIFESTAÇÕES DE LUTO

Dado que o luto é a perda de alguém de quem uma pessoa se sente próxima e o processo de ajustamento a isso, ou seja, trata-se de uma fase de adaptação a nova realidade, podemos notar que este processo manifesta-se de diferentes formas e varia de indivíduo para indivíduo.
Assim, o luto normal apresenta as seguintes caracteísticas: Stress somático ou físico; preocupação com a imagem da pessoa que faleceu; culpa relacionada com a pessoa que faleceu ou circunstância de sua morte; reacções hóstis; incapacidade para funcionar como fazia antes da perda.
Este tipo de luto pode se manifestar em forma de: Sentimentos (Tristeza, raiva, culpa e auto recriminação, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo, choque e anseio); Sensações físicas (Vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, hipersensibilidade ao barulho, sensação de despersonalização, falta de ar, fraqueza muscular, falta de energia, boca seca); Cognição (Existem muitos padrões de pensamentos diferentes que marcam a experiência do luto. Contudo, alguns sentimentos podem levar á depressão ou ansiedade, esses sentimentos podem ser, a Descrença, confusão, preocupação, sensação da presença, alucinações) e Comportamentos (Distúrbio do sono, distúrbio do apitete, comportamento aério com tendência a esquecer as coisas, isolamento social, sonhos com a pessoa que faleceu, evitando coisas que lembrem a pessoa que faleceu, procurando e chamando pela pessoa, suspiros, hiperactividade, choro, visitando lugares ou carregando objectos que lembrem a pessoa que faleceu e objectos preciosos que pertenciam á pessoa perdida). Importa salientar que a manifestação do luto varia de cultura para cultura e até podendo variar de indíviduo para indivíduo.





  1. PAPEL DO PSICÓLOGO PERANTE A MORTE

Visto que a morte causa dor, tristeza, desânimo, ansiedade, descrença, alucinações, disturbios de sono e isolamento social tanto para o indivíduo que padece de uma doença terminal assim como para os familiares, deste modo, é importante que a figura do psicólogo se faça presente neste momento para ajudar a pessoa que ficou a si dar conta da perda, de forma que possa lidar com o impacto emocional da perda e ajuda-la a identificar e expressar seus sentimentos que advêm da perda tais como raiva, culpa, ansiedade, desamparo e tristeza e ajudar as pessoas que ficam a viver sem a pessoa falecida. Para tal, o psicólogo poderá se auxiliar do aconselhamento.

7. 1. Aconselhamento do luto
O aconselhamento do luto ajuda pessoas que tem problemas em lidar com seus sentimentos em relação a perda, de forma que elas possam resolver o seu luto de um modo eficaz.
Importa referir que existe uma diferença entre aconselhmento de luto e terapia de luto, sendo que a primeira refere-se ao luto não complicado ou normal, enquanto que a segunda ao luto anormal ou complicado.
Assim, os objectivos do aconselhamento do luto são: aumentar a realidade da perda; ajudar a pessoa a lidar com os afectos expressos e latentes; ajudar a pessoa a superar vários obstáculos para se reajustar depois da morte e encorajar a pessoa a dizer um adeus adequado e a se sentir comfortavél ao reinvestir novamente na sua vida.

7.2. Tipos de aconselhamento de luto
Importa referir antes de mais, que o aconselhamento é diferente de Dar Conselho. Neste sentido, o psicólogo deve efectuar o aconselhamento guiando-se dos referênciais teoricos que norteam esta prática profissional e não dar conselho que seria indicar o individuo a seguir uma determinada solução por ele proposta.
Existem três tipos de aconselhamento de luto a saber: o aconselhamento que envolve serviços profissionais de médicos, enfermeiros, psicólogos ou assistentes sociais que dão apoio a uma pessoa que passou por uma perda significativa, de forma individual ou em grupo; o segundo tipo de aconselhamento envolve aqueles serviços nos quais os voluntários são selecionados, treinados e apoiados por profissionais e o terceiro, temos o aconselhamento de luto que incluí grupos de auto ajuda, nos quais as pessoas enlutadas oferecem ajuda para outras pessoas enlutadas, com ou sem apoio de profissionais.
Qualquer dos tipos de aconselhamento acima citados tem inicio, geralmente, na primeira semana depois do enterro e pode ser feito em qualquer local, isto é, não exige um ambiente formal contrariamente ao que acontece na terapia do luto.

7.3. Princípios do aconselhamento do luto
De acordo com Worden (1998), os princípios do aconselhamento do luto são:
  • Fornecer tempo para o luto, quer dizer, ajudar a família a entender que o luto é um processo gradual e que requer tempo; fazer concepções as diferenças individuais; Oferecer apoio contínuado, visto que, diferente da terapia do luto, no aconselhamento do luto, deve-se fazer um acompanhamento da pessoa enlutada e da família durante os períodos mais críticos pelo menos no primeiro ano após morte.
  • Examinar defesas e estilos de lidar com o problema: este princípio envolve a juda aos clientes para examinarem suas defesas e estilos de lidarem com problemas porque elas ficaram exacerbadas pela perda significativa.
  • Identificar a patologia e encaminhar: fazer com que a pessoa seja capaz de identificar a existência de patologia que tenha sido desencadeada pela perda e luto subsequente e posteriormente, avaliar a necessidade de encaminhamento para um profissional.












  1. CONCLUSÃO

Ao terminar o trabalho, importa agora fazer algumas ilações acerca do mesmo. Deste modo, como podemos notar no desenvolvimento deste trabalho, a morte é uma realidade irreversível inerente ao mundo dos vivos e ela sempre chega de surpresa, até mesmo quando o indíviduo encontra-se em estado de saúde delicado, mas, contínua lutando pela vida e, de outro lado, a família, bem como os amigos, com fé e esperança por sua possível recuperação.
O Homem é o único animal que tem consciência e certeza de sua própria morte, no entanto, a maioria dos homens a temem, e se pudessem adiariam-na convictos. O medo é a resposta mais comum dos homens diante do fenómeno morte independentemente da idade, sexo, nível sócio-econômico e credo religioso, desencadeando desse modo, mecanismos de defesa psiquica, de forma cada vez mais intensa contra a morte.
Na análise feita sobre as culturas, quer Ocidental ou Africana, no que se refere a morte, constatou-se que todas elas têm algo em comum que é o facto de considerarem a inevitabilidade e irreversibilidade da morte, contudo, constatou-se que umas acreditam e outras não, na vida pos morte.
Na cultura Africana no geral e na moçambicana em particular nota-se que o mundo dos mortos e o dos vivos, estão intimamente ligados e que os mortos em forma de espíritos contínuam exercendo grande influência nos vivos sob várias formas.
Importa realçar que na cultura moçambicana a morte pode ser sentida de igual forma nas diferentes etnias, mas, a forma como se fazem os seus cultos diferem, apesar de esta diferença não ser muito significativa entre os clãs Tsonga.
Finalmente, importa frizar que, a morte é uma experiência una que, o homem só desvenda o segredo quando chegada a sua vez e o luto está ligado a morte, que é algo pelo qual a pessoa que perde um ente querido tem de enfrentar de forma a normalizar a sua vida, na então condição de quem sofreu uma perda significativa, podendo ser ajudada por profissionais qualificados nessa área, como Psicólogos e pela comunidade nesse processo de reestabelecimento perante a perda, através do aconselhamento e a terapia de luto.



  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Ariès, P. (2000). O Homem perante a morte. 2ª ed. Portugal: Publicações Europa – América.
  • Junod, E. A. (1996). Usos e Costumes Bantu. Maputo: Arquivo Histórico.
  • Mondin, B. (2005). O Homem, que é ele? Elementos da Antropologia Filosófica. 12ª ed. São Paulo: Edição Paulus.
  • Papalia Diane.E & Olds Sally.W (2000), Desenvolvimento humano - Enfrentando a morte e o luto. 7ª edição. Porto alegre. Artmed editora.
  • Stedeford, A. (1986). Encarando a Morte – uma abordagem ao relacionamento com paciente terminal. Porto Alegre: Artes Médicas.
  • Worden, W. (1998). Terapia do luto – Um manual para o profissional de saúde mental. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas.
  • Zacarias, A. E. (s/d). Temas de medicina legal e seguros. imprensa universitária, Maputo.


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Índice

I.INTRODUÇÃO 1
II.ABORDAGEM CIENTÍFICA DA MORTE 2
III.ENFRENTANDO A MORTE 4
IV.CULTO AOS ANTEPASSADOS EM DIFERENTES CULTURAS 7
V.TAREFAS DO PROCESSO DE LUTO 13
VI.MANIFESTAÇÕES DE LUTO 14
VII.PAPEL DO PSICÓLOGO PERANTE A MORTE 15
VIII.CONCLUSÃO 17
IX.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 18

Um comentário:

cristina bata disse...

Muito interessante essa abordagem sobre a morte.
Gostei muito e gostaria de ler mais vezes.
sao puras verdade olisticas do homem sobretudo mocambicano.
Muito obrigado pelo trabalho. Valeu

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