ELIAS RICARDO SANDE

ELIAS RICARDO SANDE
PSICOLOGO SOCIAL E DAS ORGANIZACOES

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mercado de Emprego em Mocambique: Possiveis Alternativas, 2Edicao

1. Sobre o Autor

ELIAS RICARDO SANDE (Taylor Júnior), é natural de Chimoio (Manica), pai de um filho (Piaget). É membro fundador e actual Presidente da OEM, é Secretário-Coordenador do Projecto-PAPO desenvolvido em Chimoio, membro de duas congregações religiosas (IEAD e ADA).  Taylor Júnior é membro activo das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (2ºCabo), estudante do 3ºAno de Psicologia (FACED-UEM).
Elias Sande é muito influenciado pelas obras de Frederick W. Taylor, donde provêm o nome Taylor Júnior; obras de Piaget (donde provêm o nome do filho) e as obras de Freud. É também influenciado pelos ideias de Adolfo Hitler, Benito Mossoline, Fidel Castro e Samora Machel enquanto figuras militares. Actualmente, Elias Sande, é Auxiliar Informático na FACED-UEM e activista/animador da ARES (Graça Pedro, 2010).










2. Dedicatória

Este trabalho é dedicado à meu filho Piaget e à minha mãe Lúcia Sande, por serem as pessoas que mais me motivam em estudar.




3. Agradecimentos
Agradecimentos vão para colegas da Faculdade, em especial Aniceto Mateus; à minha supervisora drͣ.Alexandra Simbine que directa ou indirectamente ajudou-me na efectivação deste trabalho. Aos funcionários do Ministério do Trabalho e do  Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional por terem feito o possível na procura de fonte e informações e por terem aceite as minhas entrevistas e à todos inquiridos são igualmente agradecidos por terem aceite e preenchido condignamente os questionários.










4. Lista de abreviaturas
CS: Concertação social
DNT: Direcção Nacional do Trabalho
DTM: Departamento do Trabalho Migratório
 DAF: Departamento de Administração e Finanças
 DRH: Departamento de Recursos Humanos
DNPET: Direcção Nacional de Planificação e Estatísticas do Trabalho
EEFP: Estratégia de Emprego e Formação Profissional
EFP: Emprego e formação professional
EEL: Escola de Estudos Laborais GE: Gabinete de Estudos
GM: Gabinete do Ministro
GPE: Gabinete de Promoção do Emprego
IT: Inspecção do Trabalho
INSS: Instituto Nacional de Segurança Social
INEFP : Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional
INE: Instituto Nacional de Estatística
IFTRAB: Inquérito sobre a Força de Trabalho
MEC: Ministério de Educação e Cultura
MITRAB: ministério do Trabalho
NIT: Normas e Inspecção do Trabalho
OP: Orientação Profissional
PEA:  População Economicamente Activa
RRICR: Regulamentação das relações individuais e colectivas de trabalho
RICTT:  Relações internacionais e de cooperação técnica do trabalho
SS: Segurança social
RM: República de Moçambique


1.Introdução

No presente trabalho faz-se uma breve análise de desemprego e políticas usadas para a sua redução, como forma de contextualizar o problema de desemprego num país que possui estas características. De seguida apresentam-se as causas e características do desemprego em Moçambique, tendo como base vários estudos, censos e inquéritos que abordam a problemáica do desemprego. Argumenta-se que as várias taxas de desemprego nas regiões urbanas e rurais são contraditórias às taxas de pobreza para os mesmos locais, sendo as maiores taxas de desemprego varificadas nas regiões urbanas, que por sua vez, também possuem as menores taxas de incidência da pobreza. Tendo como base esta contradição, e uma menção insuficiente à problemática do desemprego na estratégia de redução da pobreza no país, analisa-se as medidas e políticas implementadas pelo Governo.
Assim, a maior parte das avaliações feitas são incorporadas em trabalhos, a evolução histórica do desemprego em Moçambique elaborado pelo MITRAB que avalia os vários factores que pulsionaram o aumento do desemprego no país desde o tempo colonial; a apresentação e análise de taxas de desemprego consoante os vários grupos (áreas urbanas e rurais, homens e mulheres) considerando o impacto do sector informal.
O presente trabalho irá abordar a problemática do “Mercado de Emprego em Moçambique: Possíveis alternativas”, foi elaborado no âmbito da Cadeira de Psicologia de Orientação Profissional do Curso de Licenciatura em Psicologia na UEM, corresponde ao Exame da Cadeira. O trabalho alberga a seguinte estrutura: Introdução (âmbito, problematização, justificativa, objectivos); Fundamentação Teórica (contextualização e definição de conceitos); Apresentação dos resultados; Análise/Discussão dos resultados e as Considerações finais (conclusão, limitações e recomendações).



1.1.Problematização
Nos últimos dez anos, Moçambique tem registado elevadas taxas de crescimento económico, como resultado da estabilidade política, adopção de reformas e políticas económicas favoráveis, a reintegração nos mercados regionais e internacionais, O índice de incidência da pobreza absoluta na população moçambicana que se situava em 69,4% no final da década de 90, baixou para 54,1%, conforme dados do 2º Relatório de Avaliação da Pobreza absoluta em Moçambique, 2002-2003. Assim sendo:
  • será que as políticas e as estratégias de emprego usadas no mercado de emprego em Moçambique são eficazes para garantir a empregabilidade dos moçambicanos?
  • As elevadas taxas de desemprego em Moçambique podem ser uma consequência do analfabetismo e da pobreza absoluta?

1.2.Justificativa

Como moçambicano, abordar a problemática do Mercado de Emprego em Moçambique, constitui um caminhar necessário para conhecer a realidade do próprio Moçambique, visto que esse fenómeno afecta não só aos jovens, mas à todos os níveis e faixa etária e, falar deste tema, é  falar  da história de todos nós. O estudo permitirá compreender uma realidade social própria dos moçambicanos, na medida em que visa conceber subsídios sólidos por forma a maximizar a variável emprego em todos os programas e projectos de desenvolvimento em Moçambique tornando-a o principal parâmetro de avaliação de mérito na luta contra o desemprego, bem como tentar compreender programas especiais para absorção da força de trabalho em áreas com alto potencial de criação de emprego e auto emprego.




1.3. Objectivos
  • 1.3.1.Objectivo Geral
ü  compreender o desemprego em Moçambique, destacando as saus causas, características e as alternativas para o seu estanque.
  • 1.3.2.Objectivos Específicos
ü  identificar o tipo de desemprego e as polilitcas de redução do desemprego em Moçambique;
ü  avaliar as características do desemprego apresentadas em estudos e inquéritos efectuados em Moçambique;
ü  verificar o efeito causal do analfabetismo e da pobreza em Moçambique em relação ao desemprego;
ü  associar o mercado de emprego com o processo de Orientação Profissional em Moçambique;
ü  propor medidas alternativas para o estanque do desemprego em Moçambique.
1.4.Hipótese
ü  O desemprego em Moçambique está directamente relacionado com elevada taxa de analfabetismo;
ü  A falta de emprego por parte de muitos moçambicanos influencia profundamente nas incidência da pobreza absoluta que se vive em Moçambique.
1.5.Variáveis
ü  Analfabetismo
ü  Pobreza
1.6. Amostra
ü  Entervista: 05 pessoas
ü  Questionário: 07 pessoas

1.7. Metodologia de pesquisa
Segundo Moura (2005), metodologia refere-se não só a um simples conjunto de métodos, mas sim aos fundamentos e pressupostos que fundamentam um estudo particular. Nessa pesquisa, a Metodologia é a explicação detalhada e rigorosa de toda acção desenvolvida. É a explicação do tipo de pesquisa (Quali-Quantitativa), do instrumental utilizado, do tempo previsto, dos métodos de recolha de dados. No entanto, para a efectivação desse trabalho, recorreu-se à revisão bibliográfica. Como fontes, de acordo com o critério de origem de dados e informações, destacam-se:
  • pesquisas bibliográficas em livros e artigos científicos; pesquisa documental de anuários estatísticos, inquéritos e censos populacionais, políticas e programas do governo; entrevistas e inquéritos à especialistas e trabalhadores do MITRAB através de perguntas abertas e aplicação de questionários; consultas de websites e informações disponíveis na Internet.
2. Descrição da Instituição (Ministério do Trabalho)
O MITRAB foi criado em 1995 pelo Decreto 88/95, está localizado na Av.24 de Julho Nº2351; Caixa postal: C.P. 281; Tel: 258-1-427051/2; Fax: 258-1-421881-Maputo.
Missão: promover o equilíbrio das relações de trabalho por meio da acção fiscal, da intermediação dos conflitos, do apoio à geração de trabalho, emprego e renda e da assistência ao cidadão, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Objectivos: combater o índice de informalidade no mercado de trabalho; melhorar as condições de trabalho quanto à segurança e saúde do trabalhador e promover o trabalho decente e erradicar o trabalho infantil e Optimizar o processo de atendimento ao seguro-desemprego.
Áreas de actividades: RRICRT; EFP; SS; CS; NIT; e RICTT.
Estrutura do MITRAB: O MITRAB tem as seguintes estruturas: DNT; DNPET; IT; DTM; DAF; DRH; GE e GM.
Instituições sob tutela do MITRAB: INSS; INEFP; GPE; EEL.

3. Fundamentação Teórica
trabalho- o trabalho pode ser visto como uma actividade metódica das forças corporais e intelectuais do homem, visando o seu próprio desenvolvimento intelectual, socaial e económico, nesse sentido, o trabalho gera profissões e, o indivíduo desenvolve sua profissão  trabalhando (MITRAB, 2003). Por outro lado, o INEFP (2006) define profissão como um conjunto de tarefas económicas que concorrem para a mesma finalidade e que pressupõem conhecimentos adquiridas mediante uma aprendizagem, destinados a assegurar a manutenção da vida. Na mesma linhagem, emprego é uma espécie de contrato estável no qual o possuidor dos meios de produção paga pelo trabalho de outros (INEFP, 2004) e, define-se o mercado de emprego como sendo a relação entre as pessoas que procuram emprego especializado ou não e as  instituições que oferecem emprego num sistema economico, tendo uma função de mercado ou local onde se pode comprar ou vender produtos e serviços (MITRAB, 2009).

3.1. Características do Desemprego em Moçambique
A PEA em Moçambique é de de 5.9 milhões de pessoas, constituída maioritariamente por trabalhadores por conta própria (52%) e trabalhadores familiares não remunerados (33.7%). Apenas 11.1% são assalariados, dos quais 4.1% são absorvidos pelo Governo e Sector Público e 6.9% pelo sector privado. Anualmente ingressem no mercado de emprego cerca de 300.000 jovens (INEFP, 2004). O sector privado absorve mais de 80% da força de trabalho (INEFP, 2006)
A maior parte da PEA exerce actividade geradora de rendimento no mercado informal. 57% da população moçambicana é analfabeta e mais de 80% da mão-de-obra não possui formação (MEC, 2006). As taxas são mais elevadas nas áreas urbanas (31%) do que nas rurais (12%) e são ainda mais elevadas entre as mulheres (21,7%) do que entre os homens (14,76%). Sendo muito elevado nos jovens, a Zona Norte é a menos afectada (10,4%), seguida do Centro (12,0%), a Zona Sul apresentando taxas relactivamente altas (25%) de índices de desemprego. A taxa de desemprego aumenta à medida que o nível de educação se eleva, o que pode ser explicado pelo facto dos indivíduos mais instruidos concentrarem-se na camada juvenil (RM, 2005).

3.2. Causas de Desemprego em Moçambique
3.2.1.Causas do Desemprego numa Perspectiva de Evolução Histórica
Período colonial: o emprego estava orientado para os interesses coloniais subordinados às directrizes do nacionalismo económico de Salazar iniciado em 1930. Para tal, o estado colonial organizou um recrutamento para as minas da África do Sul e para as plantações exercendo trabalho forçado (xibalo);
Período da independência até 1986: No processo de nacionalização das empresas foi um dos objectivos de manuntenção do emprego, o Estado passou a controlar todos os meios de produção, adoptando uma attitude proteccionista. A mecanização aumentou a dependência do sector estatal do recrutamento sazonal para as colheitas, enquanto as oportunidades de trabalho permanente reduziram, aumentando o desemprego;
Período de 1987 à 2007: a criação de políticas do Banco Mundial e do Fundo Monetáreo Internacional, marcando a transição entre o socialismo e a economia do mercado, com intuinto de recuperar na indústria transformadora, a exportação privatizando algumas empresas; guerra e problemas de gestão de bens-públicos são tidas como causas do desemprego (Pangara,  2010).
3.2.2.Causas Gerais do Desemprego numa Perspectiva Actual
Uma das causas do desemprego em Moçambique é a incapacidade da economia em gerar postos de trabalhos em números suficientes para absorver os desempregados incluindo os jovens que anualmentte ingressam no mercado de trabalho; elevadas taxas de analfabetismo; baixos índices de produtividade no sector agrícola familiar, de onde provém os rendimentos de mais de 80% da população; demanda de uma força de trabalho cada vez mais qualificada, capaz de acompanhar a evolução tecnológica e redução do peso do Estado como empregador, dada a mudança do papel deste na economia do trabalho (IFTRAB, 2004/05).
3.3. Políticas de Emprego em Moçambique
Baixar a taxa natural do desemprego reduzindo o desemprego: as agências de emprego do Governo divulguem a informação sobre vagas, a fim de combinar trabalhadores e empregos com mais eficiencia. Devendo se ter em conta programas de treinamento com financiamento politico para facilitar a transição de trabalhadores de indústrias em declíneo para indústrias em expasão (RM, 2005);
Melhorar a situção do desemprego: programas de seguro-desemprego, ou seja, os trabalhadores podem continuar a receber uma fracção de salário por um determinado tempo depois de perderem emprego (RM: Conselho de Ministoros, 2006).

4. Mercado de Emprego e a Orientação Profissional
Segundo Yoste & Corbishley (1987), a partir do momento em que o cliente procura apoio para descobrir ou confirmar uma escolha profissional, o primeiro passo a ser seguido pelo orientador é a avaliação dos interesses do cliente com vista a satisfazer as necessidades deste, para depois se encarar os resultados como indicadores dos campos que é necessário explorar, a fim de se fazerem escolhas realistas. O uso do termo “empregabilidade” remete-nos às características individuais do trabalhador capazes de fazer com que a pessoa adquira emprego. A importância da OP centra-se na medida em que contribui para o auto-conhecimento e promove uma reflexão crítica sobre as escolhas profissionais. O papel fundamental da OP é de preparar pessoas para o trabalho, pois as empresas não só se preocupam com a carreira de cada colaborador, devendo se desenvolver competências de acordo com as exigêncais do mercado de emprego (Bohoslavsky, 1980). Para isso, seguno este autror é necessário que o indivíduo siga as premissas básicas da OP como:
  • recolha de informações sobre si mesmo e sobre o mercado do trabalho e traçar um perfil detalhado de suas características de personalidade, interesses e aptidões, bem como das possibilidades de actuação no mercado de trabalho e ocupações alternativas.
Guichard & Huteau (2001) a OP surge como uma possibilidade de ajuda para os indivíduos, não levando estes a apenas escolherem uma profissão, esta, pode prevenir alguns transtornos na vida, como decepção e ilusão, e favorecer a melhoria da qualidade de vida. A preparação para o trabalho, realizada através de um processo de orientação profissional efectivo, é uma das possibilidades para que os recêm-graduados  venham a competir profissionalmente.

5. Apresentação dos Resultados
De acordo com as entrevistas feitas mais de 75% ( 04 indivíduos) dos participantes afirmam que o mercado de emprego é uma ameaça para todo o povo, principalmente para os jovens recêm-graduados e, as políticas do trabalho usadas não são eficazes e a taxa de desmprego vai aumentando cada dia que passa pois nada se faz do concreto, e defendem haver uma forte relação entre o analfabetismo associado à fraca qualidade de ensino, bem como as incidências assustadoras da pobresa absoluta com o desemprego. Os entrevistados apontam que o currículo actual no sistema educacional não se adequa ao contexto actual e que segundo eles as alternativas para superar essa problemática carecia do envolvimento de toda sociedade, dai que o Governo deve abrir espaço para a participação massiva do povo nos processos de tomada de decisão. Os entrevistados, mostram-se insatisfeitos pelos programas implementadas pelo Governo, que até, uma das fontes enfatizou que uma alternativa rápida e a curto prazo seria a retirada da Frelimo no Poder. Por outo lado, os questionários aplicados, apontam que 06 pessoas (85,7%)  dos inquiridos comungam com a ideia acima proposta (desemprego associado ao analfabetismo e à pobreza), apesar de uma pessoa (14,3%) salientar o estudar como a medida mais eficaz para a redução do desemprego.

6. Análise e Discussão dos Resultados
Sendo o desemprego estrutural que mais domina em Moçambique, na minha opnião, baseando-se nas ideias de Zylberstjn & Neto (2000), deveria-se optar por usar três teorias de emprego em simultâneo. A teoria de Tomson sustenta que as variáveis do mercado de trabalho tem que ser administradas pelas políticas macro-económicas e não através de políticas direcionadas ao próprio mercado de trabalho; a de Keynes que aponta a imperfeição no ajuste entre oferta e demanda popular; e a de neoclássicos que defende que os mercados se auto-regulam e, deixados em liberdade, tenderá à um ponto de equilibrio entre a procura e a oferta.
Os dados apresentados acima, demostram que o currículo educativo actual não se enquadram nas necessidades do mercado do trabalho, o que se reflecte nas taxas elevadas de desemprego em indivíduos com altos níveis de escolaridades. Esse é um dos problemas encontrados nos entrevistados ao referir que geralmente na busca de emprego, as empresas pedem 3 à 5 anos de experiência, uma vez que o indivíduo acaba de ser formado. Nesse sentido, deve-se elaborar currículo capaz de acompanhar o processo de ensino e aprenidazem tendo-se em conta as aulas práticas nas instituições ligadas à área do curso, para que o indivíduo ao terminar a foramação tenha a devida experiência.
Na mesma linhagem o baixo nível de alfabetização da população aliada a uma fraca formação técnico-profissional, o que contribui para a redução da sua produtividade, principalmente neste mundo cada vez mais competitivo, fazendo com que o mercado de emprego use mão-de-obra qualificada, ficando de fora os indivíduos com baixos níveis escolares. A falta dos serviços de OP nas escolas e em outros sectores é factor que precisa muita atenção, por forma a fornecer informação necessária para a massa trabalhadora.
Deste modo, demostra-se a influência das variáveis (analfabetismo e pobreza) e a confirmação das hipóteses, pois, segundo Ministério de Educação e Cultura (2006): 57% da população moçambicana é analfabeta; patente baixo nível acadêmico (90% tem menos de 9ª classe e apenas 1.3% tem o nível secundário) e a baixa qualificação profissional (62% não tem nenhuma qualificação). Este cenário está intimamente aliado à pobreza, na medida em que muitos não têm acesso ao ensino por não possuir recursos financeiros para o efeito e acabam por se tornar analfabetos e consequentemente sujeitos ao desemprego.
O mercado de emprego deve ser moderado pelo governo, na medida em que deve fornecer informação necessária acerca do mercado de emprego à sociedade. Segundo o descrito acima, em Moçambique, caracteriza-se por um tipo de desemprego designado estrutural, na medida em que há um desequilíbrio entre a procura e a oferta. O desemprego aqui é involuntário, pois resulta da própria estrutura da economia, com uma produtividade abaixo do seu potencial.

7. Alternativas para a redução do Desemprego em Moçambique
a)  alteração da legislação laboral com o objectivo de tornar o mercado de trabalho mais flexível e competitivo de modo a contribuir na criação do emprego formal;
a) definição de uma estratégia de combate ao desemprego, dada a definição dos grupos mais necessitados localmente, contribuindo para uma maior descentralização das políticas de emprego à nível da província;
b) promoção de estágio nas empresas e instituições do Estado e privadas, o que ainda não se faz nas nossas Universidades Públicas, devendo esta actividade estar prevista nos horários dos estudantes;
e) realização de mais inquéritos e estudos direccionados à área de emprego, bem como proporcionar informações do mercado de emprego aos próprios desempregados, bem como à todos os níveis sociais para a tomada de consciência;
f)  as Estratégias do Mercado de Emprego  devem responder à demanda do mercado de emprego, através da formação profissional como um meio para aumentar a empregabilidade e ajustar as características da procura às exigências do mercado de emprego;
g) realização de acções de Informação e OP para apoiar o aumento da empregabilidade como é defendido por Perrenoud (1999). É preciso apoiar a inserção dos jovens, mulheres e deficientes com capacidades básicas de subsistência, liderança, empreendedorismo e com responsabilidade civil, no mercado local de emprego por forma a desenvolver pacotes integrados de formação, financiamento e extensão técnica de gestão;

 k)  maximizar a variável emprego em todos os programas e projectos do país, desenvolvendo programas especiais para absorção da força de trabalho em áreas com alto potencial de criação de emprego e auto-emprego;

l) promover serviços de OP nas escolas e em todos os níveis sociais, para que os jovens e estudantes vivam sabendo as suas competências e a situação do mercado de trabalho.
8.Considerações Finais
8.1.Conclusão
A compreensão da problemática do desemprego em Moçambique, envolve uma avaliação do conceito teórico e da validade das políticas para a redução do desemprego. As causas do desemprego no país, podem ser vistas de duas facetas: numa perspectiva de evolução histórica e económica do país e numa perspectiva actual, evidenciando as causas gerais.
Uma das características importante de Moçambique é que uma larga parte da força do trabalho encontra-se no sector informal, que se caracteriza por providenciar rendimentos baixos aos seus trabalhadores e muitas vezes instáveis. A maior parte  da força de trabalho encontra-se no sector informal, com maior concetração na região Centro e em zonas rurais, sendo as províncias de Zambézia e Gaza as que apresentam maior percentagem e, a cidade de Maputo como a provincia com menor percentage. Como os trabalhadores moçambicanos não recebem nenhum subsídio do Governo quando desempregados, não se pode dar ao luxo ficar parado, por isso sempre desempenham algum tipo de actividade, mesmo informal, mas declara-se como empregados, assim a medida padrão do desemprego acaba por substimar a verdadeira extensão da sua falta de oportunidade em satisfazer as suas necessidades.
8.2. Limitações
Em relação à elaboração do trabalho: a) a não liberação total de informações por parte do MITRAB e INEFP;  b) a falta de acesso de informações públicas, as ditas sigilosas; c) falta de dossier (informações arquivadas) nas instituições que lidam com a área do desemprego; d) os sectores escolhidos para a pesquisa empírica, (MITRAB e INEFP), são sectores muito problemáticos devido a uma série de factores conjunturais e até mesmo estruturais do país (burocracia e sigilo professional excessivos); e)  na fundamentação teórico-empírica, por ser um país em via de desenvolvimento, ainda não tem teorias próprias que sustentam o funcionamento do Mercado do emprego em Moçambique.
Em relação ao conteúdo do trabalho: a) quanto à delimitação do problema: muitos outros factores ligados ao desemprego não foram abrangidos;  b) quanto às medidas alternativas de redução de desemprego, as medidadas foram formuladas mediante as entrevistas, os questionários e opnião pessoal do autor; c) algumas conclusões vem apartir dos dados obtidos junto aos entrevistados e inquiridos e são de natureza volátil. Eles reflectem a percepção das pessoas sobre as situações vividas e, muitas vezes, no decorrer do processo, as percepções sofrem influências socio-culturais.
8.3. Recomendações
Num trabalho científico, é sempre difícel dar por acabado um determinado assunto, neste caso, recomenda-se estudos mais rigorosos e profundos que descubram as possíveis variáveis que associadas ao desemprego. Sem querer criticar o trabalho que vem sendo realizado, as propostas que deixo ficar reflectem a sensibilidade das informações colhidas nas entrevistas e um pouco da observação pessoal:
  1. Todas as instituições do Estado que trabalham nesta área deveriam ter um dossier preparado dos estudos e inquéritos feitos na área do desemprego, para que os próprios funcionários tenham uma melhor percepção do problema;
  2. apesar dos reviços que vêm sendo efectuados, os currículos do ensino ainda não se enquadram nas necessidades do mercado de emprego, o que se reflecte nas taxas elevadas de desemprego nos indivíduos mais instruidos. Como solução, sugere-se a promoção de estágios nas empresas e instituições do Estado, ou privadas;
  3. As políticas de emprego, deveriam apresentar uma dimensão específica do que se pretende, por exemplo, uma referência do tipo de qualificações necessárias à política industrial, as suas acções para Promoção do Emprego com o emprego melhoraria a percepção do que é que o mercado de trabalho na área industrial e direccionaria a formação dos que pretendem ingressar nessa área;
  4. Estimular os serviços de OP nas escolas e em todos os níveis sociais, por forma a fornecer as informações inerentes ao mercado de trabalho.

9. Referências Bibliográficas
Bohoslavsky, R. (1980). Orientação vocacional: A estratégia clínica (3ª ed.). São Paulo: Martins Fontes. Disponóvel em: http://www.profissionalizando.net.br/carreira-e-emprego/51-orientacaovocacional/170-a-importancia-da-orientacao-vocacional, acesso em 30-11-2010, 11H
Guichard, J. & Huteau, M. (2001). Psicologia da orientação. Lisboa: Instituto Piaget.       Disponível em: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-33902007000100003&lng=pt&nrm=iso, acesso em 30-11-2010, 11.8H
IFTRAB (2004/05). Estratégia de emprego e formação profissional em  Moçambique 2006 – 2015. Aprovado pela 5º Sessão Ordinária do Conselho de Ministros de 14/03/06. Disponível em:

INEFP (2004), Resultado do primeiro Inqérito do sector Informal, INFOR 2004, Maputo
INEFP (2006), Resultado do Inquérito Integrado à força do trabalho, (IFTRAB 2004/05, Maputo
Moura, G.  (2005).  Metodologia cientifica em conceito e método, Disponível em: http://www.gestaouniversitaria.com.br/index.php/edicoes/75-108/356-metodologia-cientifica-em-conceito-e-metodo.html, acesso em 20 de Agosto de 2010. 17H
Ministério de Educação e Cultura (2006). Plano Estratégico de Educação e Cultura-2006 à 2011, Maputo
MITRAB (2003). Evolução Histórica do desemprego em Moçambique, Maputo
MITRAB (2009). DNPET, Boletim de Estatística do Trabalho de 2004 e 2005, Maputo

Pangara, Z. L. (2010). Compulsando sobre situação de empregados domésticos. Disponível em: http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2010/08, acesso em 18 de Agosto de 2010, 15H

Perrenoud, P. (1999). Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artes Médicas
RM: Conselho de Ministors (2006). Estratégias de Emprego e Formação Profissional em Moçambique 2006-2015, Maputo.
RM (2005). Programa Quinquenal para do Governo para 2005/2009, Maputo
RM (2006). Plano de Acção para a redução da Pobreza Absoluta 2006-2009 (PARPA II), Maputo
Yost,E. B. & Corbishley, M. A. (1987). Carrer Counseling: A Psychological Approach. Estados Unidos: Jossey Bass
Zylberstjn, T. & Neto, H. (2000). As teorias de Desemprego e as Políticas Públicas de Emprego, São Paulo, Editora Atlas




Anexo I: Questionário                                                                                                
Este questionário tem como objectivo auscultar a percepção dos moçambicanos em relação à situação do mercado de emprego em Moçambique, bem como às alternativas que o Governo deve seguir para reduzir a taxa de desemprego em Moçambique, e faz parte de um processo de pesquisa científica em Psicologia, do Departamento de Psicologia da Universidade Eduardo Mondlane. A sua participação é anónima, assim sendo, a sua sinceridade será muito importante para o sucesso desta pesquisa. Agradece-se antecipadamente pela sua colaboração.
O questionário possui 10 questões com 05 alternativas cada. Por favor, coloque um X ou circunde apenas uma opção que achar conveniente.
Dados Pessoais:
Idade­­­­­­­­­____anos;  Sexo_____; Estado Civil: solteiro___, casado___, separado___, viuvo____
Nível de escolaridade: primário___, secundário___, superior___
Pontuação
01
02
03
04
05
Discordo totalmente
Discordo
Não discordo, nem concordo
Concordo
Concordo totalmente

Item
Pontuação
1
O mercado do trabalho em Moçambique está acessível à todos moçambicanos
1
2
3
4
5
2
Os que têm nível sempre encontram emprego com facilidade
1
2
3
4
5
3
A solução do desemprego é estudar
1
2
3
4
5
4
Há muito emprego em Moçambique, o acesso depende de nós
1
2
3
4
5
5
As políticas de emprego em Moçambique são eficazes
1
2
3
4
5
6
O governo está muito interessado para que todo o povo trabalhe
1
2
3
4
5
7
O Governo não é culpado por aqueles que não trabalham
1
2
3
4
5
8
Para reduzir a taxa do desemprego o Governo deve investir na Educação
1
2
3
4
5
9
O analfabetismo é uma das causas-chave do desemprego em Moçambique
1
2
3
4
5
10
A pobreza contribui profundamente para o aumento da taxa de desemprego
1
2
3
4
5



Anexo II: Entrevista
Esse guião de entrevista tem como objectivo auscultar a percepção dos moçambicanos em relação à situação do mercado de emprego em Moçambique, bem como às alternativas que o Governo deve seguir para reduzir a taxa de desemprego em Moçambique, e faz parte de um processo de pesquisa científica em Psicologia, do Departamento de Psicologia da Universidade Eduardo Mondlane. A sua participação é anónima, assim sendo, a sua sinceridade será muito importante para o sucesso desta pesquisa. Agradece-se antecipadamente pela sua colaboração.
Esse guião de entrevista possui 10 questões. Por favor, responda mediante o seu ponto de vista, pois não se pretende divulgar o resultado
Dados Pessoais:
Idade­­­­­­­­­____anos;  Sexo_____; Estado Civil: solteiro___, casado___, separado___, viuvo____
Nível de escolaridade: primário___, secundário___, superior___
  1. O que acha do  mercado de emprego em Moçambique?
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  1. Poderá haver uma relação entre o analfabetismo, a pobersa e o desemprego em Moçambique?  Justifique.
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  1. Quais as possíveis medidas e alternativas que o Governo de implantar para reduzir a elevada taxa de desemprego que se vive em Moçambique?
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