ELIAS RICARDO SANDE

ELIAS RICARDO SANDE
PSICOLOGO SOCIAL E DAS ORGANIZACOES

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PROCESSOS COGNITIVOS: IMAGINAÇÃO E PENSAMENTO








PROCESSOS COGNITIVOS: IMAGINAÇÃO E PENSAMENTO



AUTOR: ELIAS RICARDO SANDE





UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE
FACULDADE DE EDUCAÇÃO





MOÇAMBIQUE-MAPUTO
2011















O ignorante afirma,
o sábio duvida,
o sensato reflecte.
Pois, a inteligência é a insolência educada
e a dúvida é o princípio da sabedoria.
O sábio nunca diz tudo o que pensa,
mas pensa sempre tudo o que diz.
(In Aristóteles)




  1. INTRODUÇÃO
Desde sempre os processos cognitivos e em particular o pensamento e imaginação foi um campo que interessou muitos investigadores. Já nos anos remotos, Aristóteles, Pascal e Descartes defendiam que o pensamento é a essência humana, o diferencial em relação a natureza e a qualidade primária que dignifica e diferencia a espécie humana com outros animais. Esse pensamento tinha os seus princípios na imaginação, que as crianças constroem à medida que vão passando por fase de desenvolvimento. A imaginação seria construida solidamente através do jogos, essa tese é defendida pelos cognitivista, dentre os quais: Piaget e Vigotsky. Esses autores atribuem uma mair importância aos jogos infantis no desenvolviemnto da imaginação, nesse sentido, há uma profunda relação entre imaginação e opensamento.
Aliás, não só a imaginação que está interligada ao pensamento, mas também a linguagem, a parendizagem, a emoção, a percepção, a inteligência e outros processs cognitivos, para além de afirmar que de alguma forma, todos os processo cognitivos estão em interdependência, quer forte ou fraca. São várias as teorias que debruçam-se do tema, daí que apresentar-se-à apenas as ideias básicas de alguas teorias.
O presente trabalho surge no âmbito da disciplina de Introdução à Psicologia tem como tema Processos Cognitivos: Imaginação e Pensamento. Visando a análise e a relação dos vários processos cognitivos, bem como a sua importância na vida dos indivíduos. O trabalho tem como foco o pensamento e a imaginação enquanto dois processos psicológicos e interligados. Essa pesquisa apresenta a seguinte estrutura: a presente Introdução; Definição de Conceitos-chave; Pensamento Segundo Piaget e Vigotsky; Pensamento segundo Gestalt; Imaginação; Tipos de imaginação; Importância de Jogos no Desenvolvimento da Imaginação; Relação do Pensamento



com outros Processos Cognitivos; e a Discussão-reflexiva do tema culminando com uma breve conclusão.

    1. Revisão da Literatura
A Psicologia é a ciência que estudo o comportamento e os processos cognitivos. A cognição significa a aquisição de um conhecimento através da percepção. É o conjunto dos processos mentais usados no pensamento, na percepção, na classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento. De uma maneira mais simples, pode-se dizer que cognição é a forma como o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda informação captada através dos cinco sentidos. Ou seja, o acto ou processo de conhecer. O homem é exactamente aquilo que criou para si mesmo. Cada um de nós tem, vive e pensa conforme as atitudes mentais edificadas no passado. É na cognição onde se encontra vários processos psicológicos, dos quais: memória, aprendizagem, imaginação, pensamento, inteligência, atenção (Nascimento, 2009).
    1. Justificativa
Esse estudo apresenta diferentes definições acerca da imaginação, linguagem e do pensamento. Ao abordar a linguagem pretende-se evidenciar a profunda relação que esta tem com o pensamento. Porém, sabe-se que a imaginação é um elemento essencial para as crianças na medida em que determina a forma como esta vai pensar na vida adulta. Desse modo, há uma bipolaridade entre imaginação e pensamento, e entre pensamento e linguagem. O tema torna-se importante na medida em que visa compreender o desenvolvimento imaginação e pensamento, bem como a sua relação com a linguagem. E, tratando-se de estudante da área do comportamento, deve-se estudar como é que esses comportamentos são influenciados pelos processos cognitivos e, é de fundamental relevância estudar o tema para construir um conhecimento sólido que vise subsidiar a educação e a intervenção dos problemas do dia-a-dia.


    1. Formulação do Problema
O homem não é apenas um ser natural, também é um ser pensante, capaz de imaginar e abstrair ideias e compreender a sua observação ou experiência. Por essa razão, ele é superior a toda natureza. Se ele pudesse permanecer apenas no plano físico, imanente, sem a possibilidade do pensamento, seria a criatura mais medíocre dentre todas as naturais. Mas por sua essência pensante, se faz a mais sublime e especial. Pela razão o homem se põe em uma condição superior ao universo, pois pela força natural de sua inteligência, ele pode ter uma noção do universo que nenhuma outra criatura pode se igualar. Essa é a característica principal da natureza homem. Assim sendo, "Qual é o impacto da imaginação na consolidação do pensamento de um indivíduo"?

    1. Determinação de Objectivos
1.4.1. Objectivo Geral
  • Compreender a construção e a importância do pensamento e da imaginação para o desenvolvimento psicológico do ser humano.
1.4.2.Objectivos Específicos
  • Descrever as teorias psicológicas do pensamento e da imaginação;
  • Analisar caracterizando o desenvolvimento do pensamento e da imaginação;
  • Identificar a relação entre o pensamento e a imaginação com outros processos cognitivos.




    1. Metodologia
Devido a natureza da pesquisa, os dados foram analisados de uma forma qualitativa e, consequentemente, trata-se de uma pesquisa qualitativa. Para a efectivação dessa pesquisa, recorreu-se a revisão bibliográfica. Como fontes, de acordo com o critério de origem de dados e informações, destacam-se: consultas bibliográficas em livros e artigos científicos; consultas de websites e informações disponíveis na internet.


  1. REFERENCIAL TEÓRICO
    1. Definição de Conceitos-chave
A psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano os processos cognitivos (sentimentos, pensamentos, rimaginação, linguagem, emoção, aprendizagem, etc.). Desse modo, processo cognitivo segundo Nascimento (2009), é a realização das funções estruturais de representação (pensar e imaginar) aquilo que concebemos do mundo. Constitui na execução em conjunto das unidades do saber da consciência, que foram baseados nos reflexos sensoriais, representações, pensamentos, imaginações e lembranças. De acordo com Ariel, 1996), pensamento é capacidade de compreender, formar e organizar conceitos, representando-os na mente. Essa capacidade pode se baear na lógica e no raciocínio formal ou natural; na formação de conceitos; e na resolução de problemas. A imaginação é a capacidade mental de representar imagens. Capacidade de evocar imagens de objectos anteriormente percebidos. A imaginação pode ser entendida como o elo de ligação entre o consciente e o subconsciente (Clark, 2000).








    1. Conceito de Pensamento segundo Cognitivismo: Piaget e Vigotsky
O pensamento para Piaget citado por Nascimento (2009) é o mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e, como tal, implica a construção contínua de novas estruturas. Os indivíduos desenvolvem o pensamento a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam. O pensamento humano pode ser exercitado, buscando um aperfeiçoamento, que evolui desde o nível mais primitivo da existência. O pensamento se desenvolve em níveis, ou seja, em idade, a elaboração do pensamento surge de um processo interno, através do processo de assimilação, acomodação e equilibração. Piaget focaliza o processo interno dessa construção. O pensamento se caracteriza por operar mediante conceitos e raciocínios, o pensar sempre responde a uma motivação, que pode estar originada no ambiente natural, social, cultural ou no sujeito pensante. O pensar é uma resolução de problemas. Segundo Piaget citado por Ariel (1996), pode-se afirmar que o pensamento e a linguagem têm raízes genéticas diferentes; o pensamento aparece antes da linguagem, e que a linguagem é apenas uma das suas formas de expressão; as duas funções (pensamento e linguagem) desenvolvem-se segundo trajetórias diferentes e independentes; e a formação do pensamento depende basicamente da coordenação dos esquemas sensoriomotores e não da linguagem.
Por outro lado, Vigotsky citado pro Machado (2009), defende que pensamento e linguagem são processos interdependentes, desde o início da vida. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais superiores. A linguagem dá forma e define o pensamento, possibilitando o aparecimento da imaginação, o uso da memória e o planeamento da acção. Vygotsky observa que o pensamento da criança inicialmente evolui sem a linguagem; assim como os seus primeiros balbucios são uma forma de comunicação sem pensamento. Entretanto, já nos primeiros meses, na fase pré-intelectual, a função social da linguagem já é aparente, a criança tenta atrair a atenção do adulto por meio de sons variados. Até por volta dos dois anos, a criança possui um pensamento pré-linguístico e uma linguagem pré-intelectual, mas a partir daí,




eles se encontram e se unem, iniciando um novo tipo de organização do pensamento e da linguagem. Nesse momento, surge o pensamento verbal e a linguagem racional. Assim, segundo Vygotsky citado por Gomma (1998), o desenvolvimento do pensamento é determinado pela linguagem, pelos instrumentos linguísticos do pensamento e pela experiência sócio-cultural da criança.
    1. Conceito de Pensamento segundo Gestaltismo
A percepção é o pensamento que temos dos objectos ou dos movimentos por contacto directo e actual. Segundo Wertheimer, as estruturas do pensamento pré-existem no todo ou em parte, desde o primeiro momento, sob a forma de organizações comuns à percepção. Hering afirma que a intervenção do pensamento em nada modificava uma percepção, ou seja, experimentamos a mesma ilusão de óptica mesmo depois de conhecer os dados percebidos (Nascimento, 2009).

    1. Imaginação
A imaginação e pensamento caminham em paralelo. Vigotsky citado por Clark (2000), afirma que a imaginação é a base de toda actividade criadora, se manifesta igualmente em todos os aspectos da vida cultural, possibilitando a criação artística, científica e técnica. Wallon citado por Clark (2000), diz que a imaginação é indispensável ao psicólogo, ao matemático, ao físico, ou seja, quem não imagina nada descobre. Segundo Jung citado por Clark (2000), a imaginação é um processo pelo qual o ser humano interage com os seus semelhantes e com o meio em que vive, sem perder a sua identidade existencial. A imaginação começa com a captação dos sentidos e em seguida ocorre a percepção. É portanto, um processo de pensamento, que tem como material a informação do meio em que vivemos e o que já está registrado na nossa memória. Por outro lado, Aristóteles citado por Clark (2000), defende que o pensamento procede da imaginação. Após a imaginação, como acontece quando nos distanciamos daquilo que estávamos




a ver, uma imagem deve permanecer na mente sobre o qual construímos um pensamento mais avançado.
Para Clark (2000), a imaginação é o processo de pensamento que evoca o uso dos sentidos: visão, audição, olfacto, gustação, o sentido do movimento, posição e toque. É o mecanismo não-verbal e não-lógico de comunicação entre a percepção, a emoção e a mudança corporal. Freud citado por Clark (2000), defende que a criatividade está relacionada com imaginação, que estaria presente nas brincadeiras e nos jogos da infância. A criança produz um mundo imaginário, com o qual interage rearranjando os componentes desse mundo de novas maneiras. Da mesma forma, o indivíduo criativo na vida adulta comporta-se de maneira semelhante, fantasiando sobre um mundo imaginário, que, porém, discrimina da realidade.
    1. Tipos de imaginação
Muitos autores defendem a existência de três maneiras que os indivíduos usam para imaginar. Imaginação dirigida é imaginação consciente. Para o sábio, imaginar é ver. A imaginação consciente é o meio translúcido que reflete o firmamento, os mistérios da vida e da morte, o ser, o real; imaginação mecânica é formada pelos resíduos da memória; é a fantasia. É óbvio que as pessoas, com sua fantasia, com sua imaginação mecânica, não vêem a si próprias como realmente são, mas sim de acordo com sua forma de fantasia; e imaginação produtiva, é entendida como um poder activo espontâneo, um processo que se inicia por si mesmo, através de um poder sintético que combina os dados puramente sensoriais com apreensão puramente intelectual. Ela é essencialmente vital, não somente é fonte da arte, mas o poder e o agente de toda a percepção humana. Uma maneira de estabelecer uma relação com o mundo (Clark, 2000).










    1. Importância de Jogos no Desenvolvimento da Imaginação
Segundo Piaget citado por Pocinho (2007), o jogo simbólico é a representação corporal da imaginação, e apesar da imaginação predominar a fantasia, a actividade psico-motora exercida acaba por prender a criança à realidade. Na sua imaginação ela pode modificar sua vontade, usando o faz de conta, mas quando expressa corporalmente as actividades, ela precisa respeitar a realidade concreta e as relações do mundo real.
Piaget citado por Ariel (1996), defende que um dos objectivos do jogo é criar um contexto favorável ao desenvolvimento da imaginação. A necessidade de inventar regras leva as crianças a mobilizar conhecimentos, analisar diferentes possibilidades, selecionar as melhores idéias, e reflectir através da imaginação. Os jogos, além de enriquecer o quotidiano com actividades divertidas, deverá provocar uma melhoria dos resultados na construção de imaginação forte e consequentemento um pensamento brilhante.

Por outro lado, Vigotsky citado por Ariel (1996), detecta no jogo outro elemento a que atribui grande importância: o papel da imaginação que coloca em estreita relação com a actividade criadora. Vigotsky, defende que não é o caráter de espontaneidade do jogo que o torna uma actividade importante para o desenvolvimento da criança, mas sim, o exercício no plano da imaginação da capacidade de planear, imaginar situações diversas, representar papéis e situações do quotidiano, bem como, o caráter social das situações. A actuação nesse mundo imaginário cria uma Zona de Desenvolvimento Proximal formada por conceitos ou processos em desenvolvimento. O jogo da criança não é uma recordação simples do vivido, mas sim a transformação criadora das impressões para a formação de uma nova realidade que responda às exigências e inclinações da própria criança.





    1. Relação do Pensamento com outros Processos Cognitivos
Todos os processos cognitivos estão em extreita ligação um com o outro, por exemplo, o pensamento é fundamental no processo de aprendizagem, é construto e construtivo do conhecimento e da inteligência. É impossível inventar ou até mesmo compreender fórmulas e teorias sem imaginação. A a criança deve reforçar a sua imaginação para criar e, através da criatividade, desenvolver o seu pensamento. O pensamento e a imaginação não se constroem uma pela outra, deve-se auxiliar a criança a manipular essa a imaginação com mais habilidade. Uma criança sem imaginação será mais tarde um adulto intelectualmente pobre. Além disso, o pensamento também está relacionado com a intuição, sessnção e sentimentos, onde o sentimento é um factor consciente enquanto a intuição e sessanção são factores incosncientes (Ariel, 1996).
Apesar de Watson ter defendido que quando alguém se mantem em silêncio, embora imagine cantando uma canção ou lendo um texto, nenhum processo do pensamento se envolve, essa ideia já foi ultrapassada na medida em que hoje se acredita que há uma fusão entre o pensamento e a linguagem, tanto nos adultos como nas crianças, enquanto imaginamos, também estamos pensando. Vygotsky citado por Gomma (1998), defende que o desenvolvimento do pensamento é determinado pela linguagem, pelos instrumentos linguísticos do pensamento e pela experiência sócio-cultural da criança. E, na mesma linhagem, Piaget afirma que a linguagem possibilita a criança narrar um objecto ou acontecimento ausente, anteririmente percebido. Esses dados faz com que se conclua que o desenvolvimento do pensamento está intimamento com a aquisição da ligunagem, não interessando da maneira como isso é abordado pelos autores.










  1. ANÁLISE E DISCUSSÃO-REFLEXIVA DO TEMA
Com base na informação colhida, percebe-se que a cognição é o conjunto dos processos mentais, no qual se insere o pensamento, a percepção, a atenção, a memória, a aprendizagem, os sonhos, a inteligência, a linguagem, ect. De uma maneira mais simples, pode-se dizer que cognição é a forma como o indivíduo percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda informação captada através dos cinco sentidos (Nascimento, 2009).
Visões filosóficas defendem que o pensamento e a imaginação fazem com que o homem tenha um princípio superior relativamente à pessoas comuns. Quando imaginamos ser o que não somos, ou seja, cultivar pensamentos irreais, acabamos por nos deformar completamente, pois o sistema nervoso não sabe distinguir a diferença entre a imaginação e pensamento.
A imaginação e o pensamento sempre têm uma relaçcão quer positiva ou negativa, no sentido em o ser humano imagina-se como pensa, pensa como sente e sente como deseja. Desta regra, deduz-se que, para pensar bem, devemos ter bons desejos e bons sentimentos e sobre tudo boas imaginações. Essa tese é também defendida por Jung, o autor afirma que além do pensamento, existem mais quatro funções da consciência que servem de canal para a consciência relacionar-se com o mundo: imaginação, intuição, sensação e sentimento. Junto a essas funções, temos o símbolo como uma linguagem polifônica e polissêmica que abarca todos os níveis possíveis de comunicação da psique e nos remete a uma experiência total do sentido. Vêm-se que todos autores comungam a ideia de que oprocesso cognitivos estão interligados entre si.
Portanto, o pensamento não se reflete na palavra; mas sim manifesta-se nela, a medida em que é a linguagem que permite a transmissão do seu pensamento para outra pessoa. Finalmente, cabe destacar que o pensamento não é o último plano analisável da linguagem. Podemos encontrar um último plano interior: a motivação do pensamento, a esfera motivacional de nossa consciência, que abrange nossas inclinações e necessidades, nossos interesses e impulsos, nossos afectos e




emoções. Tudo isso vai reflectir imensamente na nossa linguagem e no nosso pensamento como defende (Vigotsky, 1998 citado por Nascimento, (2009).
Com visão de Pascal, o pensamento é a própria essência do homem; o homem é o animal mais frágil, mas é o mais digno porque pensa; e o pensamento eleva o homem sobre o universo. Além disso, o entendimento também está ligado aos modos de raciocinar e aos diferentes princípios pré-existentes. Associado à essa tese, Piaget, defende que o pensamento é consciente, isto é, prossegue objectivos presentes no espírito de quem pensa, É inteligente, isto é, encontra-se adaptado a realidade e esforça-se por influenciá-la. O pensamento é também social. À medida que se desenvolve vai sendo progressivamente influenciado pelas leis da experiência. Porém, na tenra idade, a criança apresenta um pensamento egocêntrico (pensamento autístico), é individualista e obedece a um conjunto de leis especiais que lhe são próprias. O pensamento se constrói com a representação da realidade, todavia, nem toda forma de capitar a realidade pode ser considerada um pensamento lógico. Enquanto que a imaginação, é a faculdade mental de ordenar imagens que imitam os factos da natureza. Nesse caso é realizado um processo de compreensão visto que a imaginação direciona-se a natureza como faz o pensamento.
Fazendo um cruzamento das teorias nota-se que a imaginação sustenta o pensamento, visto que imaginar é criar um pensamento. A imaginação é a vontade do íntimo actuando através do pensamento. A imaginação em si, atuando sozinha, não resolve problemas ou produz novos insights, mas é uma condição necessária para a criatividade, pois é a capacidade do indivíduo para conceber possibilidades interessantes que o ajudam a criar idéias que nunca antes haviam sido pensadas. A imaginação é essencial para promover o pensamento crítico e com ele novas possibilidades teóricas.
Para que a imaginação resulte em criatividade é preciso que essa seja necessariamente combinada com o pensamento, isto é, não adianta ter uma imaginação profunda se não tivermos conhecimento do assunto o qual estamos tratando. A imaginação é algo totalmente




diferente da realidade, ela cria situações não necessariamente reais ou existentes. Por exemplo, quando estamos nos vendo como vencedores da loteria, com muito dinheiro, numa casa de luxo, ficamos a imaginar como seria nossa vida se essa situação se concretizasse. Antes de algo vir a ter existência no mundo real, esse algo já está presente na nossa vida interior, na forma de imaginação.
Fazendo um cruzamento entre as várias teorias percebe-se que a construção do pensamento centra-se na imaginação. A teoria Gestaltista, afirma que o pensamento jamais se constitui pela associação de elementos ou dados em isolados, mas sim constroe-se a partir de uma organização e estruturação mental do todo. Assim, o pensamento não é a soma das sensações, mas sim um entendimento da totalidade do que é vivido. Para Gestalt, a imaginação é regida em todos os níveis por um campo, cujos elementos são interdependentes pelo mesmo facto de serem percebidos em conjunto através do pensamento.
Os indivíduos passam por algumas situações desde que se nasce, e a imaginação ocupa um lugar muito importante nos primeiros anos da vida. Através de brincadeiras criativas com plasticina, construções e barro. A criança manipula directamente os materiais e faz árvores, casas, pontes, etc. Com jogos usando objectos mais simples da casa, procura-se fabricar brinquedos com caixas de sapatos, pedras, pedaços de madeira, miolo de pão, etc. Assim permite a criança interpretar e desenvolver a sua imaginação de uma forma sólida e eficaz.














  1. CONCLUSÃO
Como conclusão, pode-se afirmar que o pensamento não coincide de forma exata com os significados das palavras. O pensamento vai além, porque capta as relações entre as palavras de uma forma mais complexa e completa que a gramática faz na linguagem escrita e falada. Para a expressão verbal do pensamento, às vezes é preciso um esforço grande para concentrar todo o conteúdo de uma reflexão em uma frase ou em um discurso.
Uma contribuição importante de Vygotsky é o facto de que, por volta dos dois anos, o pensamento e a linguagem se fundem, criando uma nova forma de comportamento. Este momento, quando a linguagem começa a servir o o pensamentos começam a oralizar-se. É algo feito de idéias, que muitas vezes nem conseguimos verbalizar, ou demoramos ainda um tempo para achar as palavras certas para exprimir um pensamento.
Por um lado, Piaget, defende que o pensamento é consciente, isto é, prossegue objectivos presentes no espírito de quem pensa, É inteligente, isto é, encontra-se adaptado a realidade e esforça-se por influenciá-la. Piaget adverte que o pensamento também é social. À medida que se desenvolve vai sendo progressivamente influenciado pelas leis da experiência. Porém, na tenra idade, a criança apresenta um pensamento egocêntrico e individualista e obedece a um conjunto de leis especiais que lhe são próprias. Piaget alega que os jogos, além de enriquecer o quotidiano da criança com actividades divertidas, provoca uma melhoria dos resultados na construção de uma imaginação forte: com uma imaginação forte, a criança vai desenvolvendo o seu pensamento. Assim sendo, O pensamento se constrói com a representação da realidade, todavia, nem toda forma de capitar a realidade pode ser considerada um pensamento lógico. A visão defendida por Piaget é que é a mais aceite: o pensamento é anterior à linguagem, ainda também que se concorde com Vigotsky ao dizer dizer que o pensamento e a linguagem são processos interdependentes.




Podemos concluir com a tese defendida por Pascal que alega que: o pensamento é a própria essência do homem; o homem é ser mais digno porque pensa; e o pensamento eleva o homem sobre o universo. O pensamento tem suas bases na imaginação.
































  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ariel, L. S. (1996). A formação social da mente em Vigotsky e Piaget. Rio de Janeiro: Martins Fontes
Clark, G. H. (2000). Imaginação: estudos psicológicos, uma visão cognitivista. Disponível em: http:/www.monergismo.com/textos/apologenetica/imaginação.pdf, Acesso aos 21/04/2011, às 14hrs
Gomma, T. I. (1998). Pensamento e Linguagem: uma visão cognitivista. Rio de Janeiro: Martins Fontes
Machado, F. R. (2009). O Pensamento Sistêmico em Psicologia. 4ªEdição, ISSN 1981-7371. Brasil: Maceió-Alagoas
Nascimento, R. O. (2009). Processos cognitivos como elementos fundamentais para uma educação crítica: Ciências & Cognição. Vol 14 (1). ISSN 1806-5821. Brasil: Minas Gerais. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cc/v14n1/v14n1a18.pdf, Acesso aos 21/04/2011, às 13hrs06min.
Pocinho, M. M. F. D. D. (2007). Prevenção da iliteracia: processos cognitivos implicados na lectura. Portugal: Universidade da Madeira. Disponível em: http://www.rieoei.org/deloslectores/1895Pocinho.pdf, Acesso aos 21/04/2011, às 13hrs30min.





POSSESSÃO/TRAUMA E REINTEGRAÇÃO SOCIAL PÓS-GUERRA EM MOÇAMBIQUE


  1. Introdução

O presente trabalho visa apresentar a interpretação do fenómeno trauma psicológico para a cultura ocidental ou possessão pelos espíritos para a cultura africana (moçambicana). Esse fenómeno está descrito nos textos de Paulo Granjo (2007) e Ilundi Cabral (2005/6). O trabalho irá apresentar algumas intervenções curativas desse fenómeno explicadas de acordo com a psicologia moderna e a cultura moçambicana.
Cada cultura, cada sociedade, cada comunidade tem a sua história que se constrói a partir dos seus valores, crenças, expectativas, tradições e visões específicas. Não existe um padrão universal de interpretar o mundo, deste modo, a visão do mundo vai variar de acordo com a concepção de cada cultura e em fução do tempo, espaço e contexto. Baseando-se no pensamento de Émile Durkheim e de Albert Einsten que defendem que tanto fenómenos social quanto o físico é universal, está claro de que os dois textos recomendados retratam de apenas um único fenómeno que ocorre em todas culturas do mundo, mas o que varia é a sua interpretação, bem como os modos e técnicas que sendo usadas para a intervenção.
A ocorrência e a manifestação desse fenómeno é universal, mas é visto de formas diferentes entre as duas culturas (africana e ocidental). Assim sendo, a sua interpretação também vai seguir caminhos diferentes mediante a concepção de cada cultura.
Esse trabalho terá a seguinte estrutura: a presente introdução; trauma psicológico para ocidentais ou possessão pelos espíritos para africanos (moçambicanos); trauma psicológico para a cultura ocidental-psicologia moderna; possessão pelos espíritos para a cultura africana (moçambicana); rflexão-tratamento e conclusão.




  1. Trauma psicológico para ocidentais ou possessão pelos espíritos para africanos (moçambicanos)

Com base nos textos recomendados, está evidente que estamos perante um fenómeno universal, ou seja, um fenómeno que ocorre em todas culturas. Mas que no entanto tem designação e interpretação diferente. Esse facto remete-nos a perceber que cada cultura é uma cultura, isto é, cada sociedade tem suas tradições, seus valores, suas crenças, seus costumes típicas e específicas que lhe caracteriza e que lhe diferencia com todas as outras sociedades.

    1. Interpretação do fenómeno com base na psicologia moderna (cultura ocidental)
De acordo com a psicologia moderna-cutltura ocidental os dois textos tratam trauma psicológico dos soldados no período de guerra, na medida em que os soldados participavam em acções violentas, massacres, assassinatos, mortos, derramamento de sangue. Isso pode lhes causar um peso de consciência por se sentir culpabilizados pelo sucedido.
Um dos textos revela-nos que os referidos soldados foram recrutados pela imposição e além disso eram de idade menor. Apartir desses factores traumatizantes, os referidos desenvolveram vários problemas mentais, entre os quais: alucinações, delírios e depressão.
Podemos entender o trauma como uma experiência de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica, que põe em risco a segurança ou integridade física do paciente e das pessoas á sua volta Madrit (2000). Nesse caso, os soldados estariam traumatizados por testemunharem mortes violentas de outros, ser vítima de tortura física ou emocional na guerra, sofrer mudança súbita e ameaçadora ao serem impostos para se filiar na guerra. Nesse sentido, esses soldados para se reintegrarem satisfatoriamente na sociedade tinham que serem submetidos à terapias psicológicas, no sentido de aliviar o trauma e o sofrimento que eles vivem. Esse tratamento somente terá sucesso quando ocorre na medicina moderna.
    1. Interpretação do fenómeno com base na cultura africana (moçambicana)
Por outro lado, segundo a cultura africana e em particular a cultura moçambicana os dois textos retratam de um fenómeno muito comum designado por possessão dos soldados aquando do decurso da guerra, na medida em que ao estarem envolvidos em acções de mortes, violências, assassinatos, massacres, derramamento de sangue estariam possessos pelos espíritos das pessoas mortas como forma de se vingar. Por essa razão, segundo Granjo (2007), os soldados após a guerra seriam perseguidos por esses espíritos que se manifestaria em comportamentos desajustados.
Segundo Honwana (2002), os espíritos se encontram em interação com os humanos e podem ser vistos como uma parte do mundo dos vivos. Os indivíduos possuidos assumem a personalidade dos espíritos, nesse sentido, os soldados apresentariam várias identidades pelo facto de o hospedeiro reunir vários espíritos. Desse modo havia necessidade desses soldados serem envolvidos em cerimónias tradicionais onde deveria-se fazer uma limpeza e/ou uma purificação espiritual que visa impedir qeue os espíritos dos mortos na guerra não os seguissem. Essa purificação seria feita por meio de advinhos, profetas e curandeiros, ou seja, a medicina tradicional (Cabral, 2005/6).

  1. Rflexão-Tratamento
Não estamos perante dois fenómeno, mas sim um mesmo fenómeno interpretado de formas diferentes. Relativamente à tradição dos espíritos é uma prática fortemente aceite pela cultura moçambicana, a possessão é vista e constitui a própria essência da identidade moçambicana. É deste fenómeno que se gere as crises sociais e pessoais, na medida em que os indivíduos acedem ao conhecimento esotérico que confere aos anciãos e aos mais velhos, diferentemente aos ocidentais em que o conhecimento resulta de descobertas de novos factos e teorias.
Nas tradições moçambicanas a posse pelos espíritos desses soldados não deve ser separada da aquisição do conhecimento, ao qual dá acesso ao poder, ao procurar a cura e fazer a adivinhação está-se num processo de busca de conhecimento que ultrapassa a percepção e compreensão das pessoas, mas sim apenas era percebido pelos vulgos nyamussoros (sábios, mestre, conselheiros, curandeiros, adivinhos, líderes religiosos) e lhes possibilita estabelecer o equilíbrio e a cura desses soldados.
Por outro lado, com base na psicologia moderna, esses soldados estavam traumatizados pela experência que tiveram durante a guerra. Segundo Madrit (2000), quando um trauma ocorre ele passa a interferir nas nossas vidas de forma directa ou indirecta através de nossos comportamentos e atitudes. O trauma, na maioria das vezes, limita e empobrece nossa qualidade de relacionamentos interferindo diretamente no nosso bem-estar e em nossa saúde emocional.
Segundo Madrit (2000), na medida em que apresentam sintomas típicos de stresse pós-traumático, episódios de repetidas revivescias do trauma sob a forma de memórias intrusas ou sonhos, afastamento de outras pessoas, evitação de actividades e situações que possam de alguma forma recordar o trauma. Desse modo, os referidos soldados não estavam preparados para se reintegrar satisfatoriamente na sociedade. Para esquecer todos acontecimentos que trazem peso de consciência e a fixação de situações estranhas vividas no período de guerra por parte dos soldados seria necessário recorrer à medicina moderna mediante terapias comportamental, cognitiva e cognitivo-comportamental.
Esses soldados que fizeram parte da guerra de acordo com a visão moçambicana estavam possessos de espíritos de pessoas que foram mortas, como forma de tratamento no sentido de reintegrâ-los na sociedade era imperioso que fossem submetidos à cerimómias tradicionais que culminariam com a descoberta das causas e a expulsão desses espíritos através dos nyamussoros.
Como recomendação, é de salientar que um determinado fenómeno ocorre de uma forma universal em todas culturas, mas a interpretação desse mesmo fenómeno varia de cultura para cultura, e, consequentemente o modo de intervir está associada à concepção de cada cultura. Em todas as intervenção tanto no trauma para os ocidentais quanto na possessão para a cultura moçambicana o objectivo é a cura. Essa cura vai ser o produto das crenças e dos valores de cada cultura. Vale enfatizar que o tratamento de qualquer que o fenómeno deve estar de acordo com as convicções do paciente, pois é no acreditar e no valor que as pessaos resolvem os seus problemas.
  1. Conclusão

A tese de Albert Einsten que defende a invariabilidade da ocorrência dos fenómenos físicos, isto é, os fenómenos físicos são universais ocorrem da mesma maneira em qualquer espaço, essa ideia foi confirmada pelo pensamento durkheiniano na qual se defende que um fenómeno social ocorre universalmente em todas as culturas apresentando apenas algumas características específicas, não lhe tirando o seu carácter universal, A ideia de invariabilidade dos fenómenos continuam válidas até nos nossos dias.
Tal como os fenómenos físicos defendidos por Einsten e os fenómenos sociais defendidos por Durkheim, os fenómenos psicológicos também são universais, ou seja, ocorrem da mesma maneira em todas as culturas, apresentando apenas algumas características específicas. No entanto, a interpretação e o significado atribuido à esse fenómeno é que varia de cultura para cultura.
Na cultura moçambicana, o fenómeno em causa é possessão pelos espíritos que faz parte da essência do humem. A possessão não pode ser visto como uma parte separada do conhecimento, a advinhação é um método de busca de conhecimento, eese conhecimento vai para além daquilo que o homem comum compreende.
Na cultura ocidental-biomedicina designaria o mesmo fenómeno por trauma psicolõgico. Nesse caso a biomedicina ocidental preoconiza tratamentos modernos onde são aplicadas terapias comprovadas, nesse sentido para eles os espíritos não pode interferir no mundo dos vivos.
A medicina ocidental em algumas vezes pode não ser aplicável ao contexto moçambicano porque essa parte de pressuposto de que o corpo e a mente são entidades distinguíveis. Nesse contexto, vêm o homem como um somatório de partes, o que entra em contradição com a realidade moçambicana em que o homem é visto como um todo-visão holística do homem, daí que a cura para os moçambicanos centra-se na harmonia entre os vivos e os morto e nas suas crenças de que os mortos interferem no mundo dos vivos.

  1. Referências Bibliográficas

Cabral, I. (2005/6). Digerir o passado: rituais de purificação e reintegração social de crianças-soldados no sul de Moçambique, Antropologia portuguesa 22/23: 133-156. Disponível em: http://www.uc.pt/en/cia/publica/AP artigos/AP22.23.06 Cabral.pdf, acesso em 06 de Abril de 2011, 19hrs
Granjo, P. (2007). Limpeza ritual e reintegração pós-guerra em Moçambique, Análise social, vol. XLII (182), 123-144. Disponóvel em http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aso/n182/n182a06.pdf, acesso em 06 de Abril de 2011, 18hrs7min
Honwana, A. M. (2002). Espíritos vivos, Tradições modernas: possessão de espíritos e reintegração social pos-guerra no sul de Moçambique. Maputo: Promédia editora
Madrit, A P. (2000). Uma Terapia para Tratamento de Traumas. Disponível em: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=05742, acesso em 06 de Abril de 2011, 18hrs

Intervenção psico-social à pessoas portadoras de dificiência física: Inclusão social



  1. Introdução

Desenvolvendo pesquisa bibliográfica e documental sobre essa temática de pessoas com dificiência física, torna-se foco do estudo, na prática investigativa em Psicologia, a necessidade e importância de apoios especializados a pessoas com deficiência física em situação de inclusão social.
O pressuposto básico desse trabalho é conhecer as acções desenvolvidas no campo da Psicologia como suporte a pessoas com deficiência fíisica, especialmente alguns elementos significativos das relações interpessoais, poderá contribuir para o aprendizado de investigação científica, bem como para conhecimento de fenómenos e processos psicossociais envolvidos nessa importante questão.

  1. Problematização

A inclusão social tem se constituído preocupação das sociedades democráticas, revelandose nas demandas de cidadãos que individualmente ou organizados em grupos têm se manifestado na defesa de direitos e na pressão política por igualdade de condições de vida. As situações práticas de inclusão social, particularmente de pessoas com deficiências físicas e múltiplas, têm apresentado dificuldades que justificam estudos, pesquisas, debates e troca de informações e conhecimentos.

3. Objetivos
  • Geral
  1. Conhecer e analisar criticamente relações de pessoas com e sem deficiências em variadas situações sociais e de atendimentos psicológicos que dêm suporte à manutenção de condições favoráveis à inclusão social.

  • Específicos
  1. Conhecer e discutir conceitos de inclusão e de pessoas com deficiência física;
  2. Identificar e analisar elementos significativos nas relações mantidas por pessoas com deficiência visual em ambiente de reabilitação e em situações do cotidiano;
  3. Obter informações sobre alternativas de intervenção psicológica e actuação do psicólogo em instituição especializada no atendimento a pessoas com deficiência física.

  1. Justificativa
Relevância social: O movimento mundial em favor da inclusão de pessoas com deficiências vem
ganhando espaço, demandando reflexões e acções sociais e políticas das quais não podem deixar de participar os estudantes de Psicologia.
Relevância científica: Fundamentação teórica consistente poderá auxiliar na consolidação de posições a respeito dessa temática, além de viabilizar, numa segunda etapa, a construção de conhecimento sobre parcela da realidade em espaços inclusivos.
Relevância para a formação em psicologia: O desenvolvimento de consciência crítica sobre inclusão de pessoas com deficiência física deverá fortalecer o exercício da cidadania, bem como propiciar conhecimentos sobre expectativas com relação à actuação do psicólogo em situações de vida ou de intervenção especializada.

  1. Metodologia
Para a elaboração deste trabalho recorrer-se-a à revisão bibliográfica, entrevista semi-estruturada e observação; Seguido de uma profunda análse reflexiva sobre o tema.


  1. Referencial Teórico

Deficiência física–toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função fisiológica, que gere incapacidade para o desempenho de actividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano (Amiralian, 1997).
Deficiência permanente–aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos (Mazzotta, 2002).
Dentre as variadas posições expressas por estudiosos sobre a inclusão de pessoas com deficiências e com necessidades especiais, elegeu-se para a presente pesquisa uma discussão de conceitos básicos sobre deficiências e pessoas com deficiências, necessidades especiais, inclusão e integração social, actuação do psicólogo nessa área.
Conforme observa Amiralian (1997), muitas vezes, as pessoas ao se verem diante de alguém com deficiência física mostram-se desconfortáveis com dúvidas, e com frequência, preferem abster-se de interagir com estes.
Amiralian (1997) alerta que não se deve considerar a deficiência física como a causa de perturbações psíquicas, mas sim como uma condição que dificulta as relações com o ambiente. O autor pontua, ainda, que embora apresentem peculiaridades relacionadas à sua condição orgânica, as necessidades das pessoas com deficiência fásica são as mesmas vivenciadas por todas as pessoas. Há três tópicos na intervenção à pessoa com deficiência física:
  • a perda dos mecanismos de descarga emocional.
  • a perda das fontes de recompensa e prazer.
  • a perda da independência física e económica.
Deficiência real e imaginária
De acordo com Amiralian (1997), a deficiência pode ser classificada como real, com limites bem definidos com os quais a pessoa terá que conviver, ou ser uma deficiência imaginária, na qual os limites são mais frutos de fantasias mórbidas que uma realidade crua e dura do indivíduo. Essa última origina-se mais do medo de fracassos do que da deficiência propriamente dita. Há grande diferença entre ser e se sentir com uma deficiência. Uma pessoa que está muito mais preocupada com a aparência, por exemplo, de usar uma órtese ou prótese, do que a funcionalidade e facilidade que tais aparelhos poderão lhe proporcionar, evitam até o aparecimento em público, uma vida social, transformando o que deveria ser apenas uma deficiência numa sequela de peso muito maior do que verdadeiramente tem, dificultando ainda mais a sua reitegração social.
Segundo Glat (1995), a intervenção psicológica nesses casos deverá acontecer, quando possível, de imediato à ocorrência do facto gerador das deficiências imaginárias. Trazer o sujeito sempre para seu mundo verdadeiro, proporcionando conhecimento de sua real situação tanto das dificuldades que terá que enfrentar, mas também dos recursos material e humano que ele poderá contar nessa nova empreitada e, principalmente, todas as possibilidades de fracasso e sucesso que terá na vida como qualquer outra pessoa. Estaremos oferecendo-lhe dados para um processo de racionalização, a busca de respostas lógicas, partindo das falsas premissas em direcção de uma construção com alicerces sólidos. Nessa fase, o relato de outros casos idênticos e bem-sucedidos poderá ser uma ferramenta de motivação.


Deficiência e qualidade de vida
O foco principal de um psicólogo como sempre deve ser orientar seu paciente na busca de uma qualidade de vida, visando a saúde mental e a possibilidade de conseguir a adaptação sua nova realidade. E para Glat (1995), quando esse paciente tem uma deficiência, é fundamental verificar:
  • as preocupações físicas; as habilidades funcionais; o bem-estar dentro da família; as redes de apoio social; a orientação para o futuro (planos, expectativas, esperanças); a intimidade e as relações sexuais; a ocupação, a espiritualidade; e a satisfação com o tratamento.
Tendo como base o respeito à pessoa, devemos orientá-la quanto uma possibilidade de autonomia e controle sobre a própria vida. Esse processo passa por uma conversa sempre aberta com os nossos pacientes, tendo sempre um compromisso ético do que e como contar ao paciente sobre a sua doença, as deficiências resultantes, assim como o estágio em que se encontra (Glat, 1995).










Referências Bibliográficas
Amiralian, M. L. T. M. (1997). O psicólogo e a pessoa com deficiência. In: Becker, Elisabeth
et. al.. Deficiência: alternativas de intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo

Glat, R. (1995). A integração social dos portadores de deficiências: uma reflexão. Rio de Janeiro: Sette Letras.

Mazzotta, M. J. da S. (2000). Reflexões sobre inclusão com responsabilidade. Disponível em

Dilema Ético: Caso Testemunhas de Jeová




  1. Introdução

As Testemunhas de Jeová são pessoas profundamente religiosas e acreditam que a transfusão de sangue lhes é proibida por passagens bíblicas como estas: “Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer.” (Gênesis 9:3, 4); “[Tendes] de derramar seu sangue e cobri-lo com pó” (Levítico 17:13, 14); e: “Que se abstenham da fornicação, e do estrangulado, e do sangue” (Actos 15:19-21).
Embora estes versículos não estejam expressos em termos médicos, as Testemunhas de Jeová consideram que proíbem a administração de transfusão de sangue total, de papas de hemácias, e de plasma, bem como de concentrados de leucócitos e de plaquetas.
As Testemunhas de Jeová crêem que o sangue retirado do corpo deve ser inutilizado, de modo que não aceitam a autotransfusão de sangue retirado de antemão e guardado. As técnicas de colecta ou de hemodiluição intra-operatórias que envolvam guardar o sangue para ser reposto, lhes são inaceitáveis (Bolooki, 2000).















  1. Questões éticas para menores de idade

O atendimento aos menores de idade, filhos dos membros de Testemunhas de Jeová, representa a maior preocupação para os médicos e advogados. Tais processos, os quais acreditam que os pais que são Testemunhas de Jeová deviam procurar dar boa assistência médica a seus filhos. Não querendo anular a sua responsabilidade de ser pai, as Testemunhas Jeová insistem que se valorize os princípios religiosos da família mesmo que estes põem em risco a vida do menor (Bolooki, 2000).

Neste caso, os pais de menores e o parente mais próximo de pacientes inconscientes possuem o dever de garantir a vida dos seus filhos. É também sabido que os pais têm voz activa na assistência dos seus filhos, mas quando se trata da vida, os médicos podem e devem extrapolar a vontade dos pais e garantir a vida do menor. Isto está em concordância com o princípio médico, e plasmado na magna carta das Nações Unidas, no entanto, deve-se ter em conta em menor escala a vontade dos pais, para evitar danos psicossociais irreversíveis causado por um tratamento intruso que viole as crenças fundamentais dos Testemunhas de Jeová (Hamstra & Block, 1980)


  1. Desafios éticos

Segundo Hamstra & Block (1980), compreensivelmente, tratar Testemunhas de Jeová pode parecer representar um dilema ético para o médico devotado a preservar vidas e a saúde, empregando todas as técnicas à sua disposição. Por isso, é aconselhavel dar vida do que cumprir princípios religiosos seja de quem for. Pois a função dos médicos é garantir a assistência que visa o bem geral do paciente. Conforme observam, quem será beneficiado, se a doença física do paciente for curada é o paciente, a pesar que alguns relatos dos Testemunhas de Jeová alegam que a sua vida espiritual com Deus, fica comprometida.





  1. Conclusão

As Testemunhas de Jeová devem reconhecer que, clinicamente, sua firme convicção em seguir as tradições bíblicas parece pôr risco a sua vida e pode complicar a assistência recebida. Estes, também possuírem os elementos vitais de profunda fé e grande desejo de viver, por isso, devem cooperarem com os esforços médicos e com a equipe médica. Assim, tanto o paciente como o médico ficam unidos em enfrentar este desafio sem precedentes.
























  1. Referências Bibliográficas

Bolooki, H. (2000). Treatment of Jehovah’s Witnesses: Example of good care. Miami Med
Hamstra, R. D. & Block, M. H. (1980), Schocket AL:Intravenous iron dextran in clinical medicine. JAMA

Laudo Psicologico 2


  1. Identificação

Nome do paciente: Zeca dos Santos Maumane
Idade: 24. Sexo: Masculino. Estado civil: Casado. Habilitações: 7ªclasse
Residência: Polana Caniço A
Responável: Mariamo Chamane
Interessada: drª Luísa Tembe
Finalidade: Diagnóstico psicológico


  1. Descrição do Caso

Zeca tem 24 anos de idade, foi recentemente transferido da cadeia civil de Maputo para Hospital psiquiâtrico de Infulene, devido a uma tentative de suicídio. O paciente tem uma história de 3 tentativas de suicídio e muitos casos criminais com a justice. Foi possível reunir essa informação apartir dos seus registos medicos. A mãe é trabalhadora de sexo e consome álcool, Zeca nunca conheceu o pai. Desde pequeno sempre apresentou comportamentos anormais. Começou a lutar na escola com os colegas, e já foi encontrado muitas vezes a torturer animais quando frequentava a escola primária. Aos 9 anos Zeca agrediu o irmão mais novo até lhe causar uma deficiência física, e, aos 12 anos juntou-se a um grupo que traficava drogas (cannabis-suruma) e já fazia o consume da mesma. Aos 14 anos já era pai de um filho. Tendo sido preso por roubo, mas devido à sua idade foi liberto. Faltava frequentemente às aulas que culminou com o abandono da escola, abandonou a sua suposta esposa e o filho para morar com os amigos na rua se envolvendo em agressão, roubos e consume de drogas. Aos 17 foi condenado a 2 anos de prisão por ter esfaqueado um indivíduo numa barraca, Zeca enquando preso, tentou suicidar-se por enforcamento. Aos 23 já era pai de 4 filhos, não visita nem dá sustento aos filhos e muitos à esposa. Zeca é manipulador, transparece ter vontade de ajudar a família, mas nunca o fez. Zeca no hospital cria problemas com as enfermeiras e outros doentes, alegando querer autorização para fumar, numa anterior hospitalização, Zeca foi encontrado a agredir uma doente de 53 anos na tentative de manter relações sexuais.

  1. Métodos e Técnicas
O obtenção dessa informação foi possível a partir de uma entrevista direccionada ao paciente, aos amigos, à mulher e aos vizinhos; fez-se análise dos documentos medicos do paciente e dos processos criminais, como notificações e acusações que me foi facultado pela espsa. O processo teve 4 sessões (duas com o paciente, uma com a esposa e uma com os vizinhos), onde em cada sessão descobria-se mais elementos através da observação dos comportamentos do paciente.

  1. Análise (Diagnóstico)
Numa análise profunda do caso, verifica-se que Zeca muitas vezes manipula as pessoas, mente para obter lucro e prazer; é impulsive; agressivo com tendências de irritabilidade, demostrados nas lutas e brigas com colegas; desinteresse consigo mesmo e pela família, o que é demostrado pelo não sustento à família; é irresponsável; ausência de remorse ou arependimento.

  1. Conclusão Recomendações do plano de tratamento
De acordo com a informação recolhida, e baseando-se no DSM-IV-TR, conclui-se que Zeca apresenta a Perturbação Anti-social da Personalidade. Essa pertubação é considerado como uma doença mental que para a sua cura não têm um tratamento específico, mas que um dos primeiro ponto deve-se consciencializar o paciente de modo a se responsabilizar noção dos seus e responsabilizando-se dos mesmos. Como o indivíduo que porta essa patologia muitas vezes é acompanhado por sentimento de suicídio associado com depressão é recomendável a medicação psiquiâtrico-antidepressivos, para reduzir o nível de tendências de suicídio. Para uma melhor eficácia e para minimizar os níveis de ansiedade, de agressidade pode-se recorrer à terapia cognitivo-comportamental, que defende que os transtornos mentais são resultados da aprendizagem do indivíduo e nas interações dele com seu meio. Essa terapia visa restabelecer as competências do paciente a controlar seu comportamento, emoções e percepções, centram no presente e preconiza treinamentos, condicionamento operante, habituação, reestruturação cognitiva.

Laudo Psicologico


1. Identifição:
Nome: Mauro Monjane. Idade 25. Sexo M.
Residência: Bairro Polana Caniço A

2. Descrição do caso
Mauro, 25 anos de idade, sexo masculino, estudante da 10ªClasse. Vive com a mãe, o irmão mais velho e a cunhada. O seu nascimento foi normal, porém começou a falar aos 5 anos. Ingressa na escola aos 6 anos, apresentando dificuldade de comunicação, reprova na 1ª, 2ª e 3ª Classes e, volta a reprovar na 6ª e 7ª Calsses, facto que fez levou a família a subornar aos professores para. Enquando adolescente, Mauro apresenta dificuldades de se expressar ao público. Não consegue se relacionar amorosamente, ״um dos meus relacionamento durou 1 dia״, frisa ele. Associado à isso, S diz: ״um moça ficou decepcionada por não lhe satisfazer sexualmente, pois sou impotência sexual״. Aos 20 Anos abandona a escola, e envolve-se em bebidas alcóolicas e em drogas (suruma). Duas semanas depois o consumo, ficou com as mãos paralisadas por 3 dias, apresentando insónia. Nas madrugadas percorre os corredores gritando e o corpo todo agitado. Perdeu memória e tem dificuldades de retenção e memorização, tornou-se violento, agredindo o irmão mais velho e beija mulheres à força. Mauro já foi levado aos maziones e à igreja universal.

3. Disgnóstico e Prognóstico (sugestão)
Mauro apresenta esquizofrénica, pois os dados indicam: disfunções cognitivas e emocionais que comprometem percepção, pensamento, comportamento, afecto, linguagem; afastamento nas relações sociais; ansiedade; depressão; diminuição de interesses sexual, desenteresse pela higiene; esgoto da memória, alterações cognitivas; gosto pelas actividades solitárias; e agressividade, facto que defendido pelo DSM-IV-TR.

4. Plano de tratamento (sugestão)
Esquizofrenia é uma doença que consiste na alteração ou desvio de personalidade, é caracterizada por uma dissociação das funções psíquicas e pela perda de contacto com o mundo exterior ela afecta não só a pessoa mas também toda a sua família e todas as pessoas à sua volta. A esquizofrenia torna-se um problema psicológico que geralmente a medicação tem ajudado. No entanto há que compreender melhor o problema para assim se poder encontrar mais e melhores soluções de carácter psicológiacas. Para o tratamento de Mauro sugere-se:


4.1. Medicação Psiquiátrica
Benzodiazepínicos: drogas de reacção rápida e podem ser administrados por via intravenosa, agem como calmantes usados para tratar ansiedade; são chamados de anti-ansiedade; Barbitúricos: drogas que agem como sistema nervoso central depressores, seus efeitos podem variar de leve sedação para a anestesia total. Se usado por muito tempo existe o risco de dependência; Fármacos antidepressivos e estabilizadores do humor: pessoas com esquizofrenia muitas vezes apresenta depressão, agressividade que podem ser acalmados por esses fármacos; Medicações antipsicóticas: estes são utilizados para a esquizofrenia no estado psicótico. Não são normalmente utilizados para pacientes com esquizofrenia catatônica; Internação: em casos extremo, durante os episódios graves, é necessário uma internação. Os pacientes são mais seguros num ambiente hospitalar são mais propensos a obter uma nutrição adequada, sono e higiene, bem como o tratamento certo.

4.2. Psicoterapias
Terapia cognitivo-comportamental: transtornos mentais são baseadas na história de aprendizado e nas interações dele com seu meio, visa restabelecer as competências do paciente a controlar seu comportamento, emoções e percepções, centram no presente e preconiza treinamentos, condicionamento operante, habituação, reestruturação cognitiva; Terapia psicodinâmica: explica os problemas psíquicos com base em conflitos inconscientes originados na infância. Elas procuram compreender o presente a partir do passado e trabalham com métodos interpretativos, através de livres-associações, transferênciais e actos falhadoss; e Treinamento social de habilidades vocacionais: isso ajuda o paciente a viver de forma independente; uma parte vital da recuperação para o paciente. O terapeuta pode ajudar o paciente a aprender uma boa higiene, preparar refeições nutritivas, e ter uma melhor comunicação.

5. Conclusões e Recomendações: recomenda-se que a família seja cautelosa com o paciente, dando-lhe o apoio necessário que ele solicitar para evitar situações que lhe criem depressão, frustração, stress e ansiedade. Mauro está ciente do seu estado patológico, facto importante que permite para que haja um acompanhamento psicológico de modo a incetivá-lo a seguir rigorosamento com o tratamento sugerido. A família proporcionar a alimentação adequada e ajudá-lo pela higiene pessoal. Deve-se evitar que Mauro ande sozinho, salvo em casos extremo. Mauro não deve consumir bebidas alcóolicas e nem exercícios que exijam maior esforço mental.

6. Referências Bibliográficas
Frances, A. & Ross, R. (2002). Casos clínicos: Guia para diagnóstico diferencial. DSM-IV-TR. Climpse Editores.